Ligando os pontos ou fazendo as conexões aos pontos, é uma análise que coloca a elite, o racismo e desdobramentos do racismo como “centralidade” do raciocínio aqui descrito, desdobramento que chamo de tentáculos, essa centralidade liga os pontos relacionados a seguir:
1. Davi Brito
2. Wanessa Camargo
3. Yasmin Brunet
4. Vai-Vai
5. Baby do Brasil
6. Claudia Leite
Estes seis nomes, na minha visão cada um em sua particularidade estão conectados, quando se visualiza a construção histórica do Brasil, é sobre essa construção que analiso e descrevo detalhadamente essa linha pensamento.
Parte 01
Para falar sobre Davi (bbb24) temos que antes acessar uma retórica para entender o hoje. Sem isso não temos base, ou simplesmente ficamos perdidos na linha cronológica do tempo, e com plena certeza estaremos fazendo ou analisando dentro de uma suposição equivocada.

Tudo que quero é não cometer estes “erros” e fazer suposições injustas. Então aqui me debruço na retórica para analisar o hoje.
Para tanto não posso virar as costas para os dados históricos e oficiais, são estes dados que irão balizar a linha de raciocínio aqui construindo.
Ao longo de cinco séculos, o legado dos donos do poder no Brasil são a mais longeva escravidão e a maior desigualdade do mundo, sem jamais permitir a consolidação de qualquer projeto que altere essa realidade. A perpetuação dessa chaga é o fio condutor que perpassa a história do nosso país, até os dias de hoje.
Esse longo período no qual a desigualdade foi sendo cuidadosa e violentamente reproduzida, foi suficiente para deformar o caráter da nossa elite e esculpir a organização social brasileira de forma a torná-la funcional para a reprodução desse modelo excludente de sociedade.
Isso só é possível assegurar com uma forte coesão política e capacidade
de tecer um domínio cultural suficientemente forte para fazer com que os
seus interesses mesquinhos pareçam ser os da própria nação.
Em seu livro, “O Abolicionismo”, Joaquim Nabuco constata que apenas na legislatura de 1879-80 viu-se “dentro e fora do Parlamento um grupo de homens fazer da emancipação dos escravos, não da limitação do cativeiro às gerações atuais, a sua bandeira política, a condição preliminar da sua adesão a qualquer dos partidos”. Ou seja, foram precisos quase quatro séculos de escravidão para que o abolicionismo passasse a ser motivo de clivagem
política no país.
Mesmo depois da escravidão já ter sido moralmente derrotada no mundo e o tráfico de escravos estar proibido no país, a elite escravocrata verde-amarela manteve ainda, por décadas, a compra e venda de humanos de forma clandestina, o que colocou o Brasil no abjeto panteão dos mais longevos regimes escravocratas do planeta. Isso só foi possível pelo domínio dos escravocratas sobre todas as instituições do Estado, tal como um sistema
judiciário dócil e uma Igreja capaz de abençoar o direito de uns possuírem outros como sua propriedade.
É certo que os escravizados nunca deixaram de lutar e resistir, mas a recepção tão tardia dessas lutas na política institucional dá a dimensão da impermeabilidade das instituições e do regime às lutas sociais em geral e a escravidão dos negros, em particular. Sempre que o consenso falhou, a nossa elite jamais deixou de lançar mão de todos os recursos de força para defender seus interesses, incluso as forças armadas. Nunca se deixou conter por
qualquer escrúpulo moral, legal ou democrático.
Ao analisarmos os fatos históricos, deparamos com estatísticas importantes, ao qual ignorar seria um erro (absurdo), elas vão dar sustentação ao raciocínio construído, estamos sobre uma linha tênue da história, onde qualquer deslize, deixamos dos fatos e entramos no mundo da Disney.
“[...] Claro que essas histórias tem seu valor sim, evidentemente que elas
no Brasil têm o poder de “manipular e convencer” mentes, lembrando que
falamos do “Brasil” o país que elegeu (entre muitos fatores claro) um
presidente da república por medo do “kit gay” partindo daí você pode
imaginar, como as histórias da Disney no Brasil fazem sucesso...”
Entretanto essa não é minha intenção. Por isso trago a luz, o censo de 1872, do qual ele revela fatos importantes naquela época:

Os dados deste censo foram disponibilizados pelo Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica da Universidade Federal de Minas Gerais (NPHED/UFMG) e pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado (Fapemig).
1) O Censo, feito em 1872, foi realizado com sucesso como parte das políticas inovadoras de D. Pedro II. O resultado foi o registro de 10 milhões de habitantes, onde a população escrava correspondia a 15,24% desse total. Os 10 milhões de pessoas estavam distribuídos em
21 províncias, sendo cada uma subdividida em municípios que, por sua vez, eram divididos em paróquias. Ao todo, eram 1.440 paróquias, as unidades mínimas de informação, que serviram de base para o mapa disponibilizado.
O recenseamento é considerado bastante completo por trazer o único registro oficial da população escrava nacional, os imigrantes separados por nacionalidade e fazer, ainda, um inventário inédito das etnias indígenas.
2) De acordo com o levantamento, 58% dos residentes no país se declaravam pardos ou pretos, contra 38% que se diziam brancos. Os estrangeiros somavam 3,8%, entre portugueses, alemães, africanos livres e franceses. Os indígenas perfaziam 4% do total dos habitantes.
Além da contagem da população, os documentos apresentam informações específicas sobre pessoas com deficiência, acesso à educação e profissões exercidas, entre outras. Por exemplo, a profissão de lavrador era a que tinha o maior número de trabalhadores na época, seguida por serviços domésticos. Entre as profissões liberais, a de artista tinha maior representatividade, inclusive entre a população escrava.
Censo de 1872 – De acordo com o demógrafo Mario Rodart, coordenador do Núcleo de Pesquisa Histórica Econômica e Demográfica da UFMG, um dos responsáveis pela digitalização do Censo, àquela época o país já pensava estratégias para acabar com a escravidão e passava por um processo racista de branqueamento da população.
“O foco das políticas públicas era todo nesse sentido. Era necessário mapear quem estava vindo da Europa”, disse.
O coordenador conta que a realização de um ambicioso levantamento populacional num país de dimensões continentais e dificuldades de transporte foi uma grande empreitada daquele século. “Questionários foram enviados para 1.440 paróquias de todo o país. Em cada uma delas foi criada uma comissão censitária, responsável por levar uma cópia do questionário a cada casa”, explicou Rodart.
As informações diziam respeito a sexo, raça, estado civil, religião, alfabetização, condição (escravo ou livre), nacionalidade e profissão. O questionário era preenchido por cada chefe de família e devolvido à comissão competente. Quem não o respondesse era penalizado com multa. Os resultados eram encaminhados para a capital onde eram contabilizados
manualmente para compor o censo nacional.
São essas as informações hoje disponíveis por meio da internet. A digitalização e correção dos dados (erros de soma e agregação) começaram há 30 anos no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG) e só agora foram concluídos. A partir de um programa é possível utilizar o censo de 1872 na forma de base de dados.
3) Em resultados detalhados, o Censo de 1872 aponta o total da população de estrangeiros no Brasil: 382.132. Separa os brancos por origem. São 125.876 portugueses, 40.056 alemães e 8.222 italianos, entre outras nacionalidades.
4) Os negros eram considerados todos do mesmo grupo: africanos.
Segundo o documento eram 176.057 africanos vivendo no país, porém,
divididos apenas entre escravos (138.358) e alforriados (37.699).
A partir das informações é notável ainda, o início da política de “embranquecimento” do povo, com a chegada dos primeiros grupos de imigrantes europeus.
“A solução para o que era visto como um problema (a população negra e indígena) era o projeto de embranquecimento”, afirma José Luis Petruccelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Em 350 anos de tráfico negreiro, entraram no país cerca de 4 milhões de africanos. Entre 1870 e 1930 vieram morar aqui praticamente 4 milhões de imigrantes europeus”, compara.
5) Quando o Censo foi feito, acabava de entrar em vigor no Brasil a Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871) que tornava livres as crianças nascidas de mulheres escravas. Consequência de pressões nacional e internacional, ela foi sancionada em um momento em que o Brasil ainda registrava um significativo número de escravizados.
Os motivos que levaram o Governo Imperial a se empenhar em registrar os dados censitários da população da época são, até hoje, motivo de debate entre especialistas.
6) Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários, tornando libertos os escravos com mais de 60 anos. A Abolição da Escravatura ocorreu somente em 1888.
O Brasil foi o último país a decretar a abolição.
Pronto, agora sabemos a origem étnica de Davi.
Isso afirma o que eu sempre falei, provavelmente digo isso a duas décadas, “nenhuma pessoa preta/negra que nasceu no Brasil, deveria naturalmente ter nascido aqui, todos são frutos do sequestro de seres humanos africanos, por reflexo disso, eles/e seus descendentes (eu, você e Davi) eram vistos (e são vistos) como seres humanos de segunda, terceira classe, seres humanos altamente descartáveis”. Eu sei que isso pode lhe doer e de fato “dói” faz todo sentido em doer.
Sabemos também que Wanessa Camargo não faz parte da mesma origem étnica de Davi. Isso faz muita diferença quando entendemos que apesar da riqueza da sua família ter vindo por consequência do trabalho do seu pai Zezé Camargo (que teve uma origem social de pobre), olhando a construção social do Brasil, podemos compreender que um país construído sobre;
1) genocídio
2) crime de sequestro
3) comércio de seres humanos
4) violência, trabalho escravo, violência psicológica, sexual e física
5) um país construído sem justiça social
6) para enriquecimento de pessoas que queriam e construíram uma “nação”
para chamar de delas, e não de seu ou nosso
7) entender essa construção, entenderemos a construção da elite e quem são
os elitizados na pirâmide social brasileira.
Wanessa Camargo faz parte desta elite desumana!

Davi representa a base da pirâmide, é o trabalhador braçal que trabalha de sol a sol, domingo a domingo, tendo baixa remuneração, usuário de políticas públicas de migalhas, que traz a ele a sensação de bem estar. Fazendo ele pagar a conta de água, conta luz, e tendo algum tipo de alimentação, falei algum tipo de alimentação, Davi teve seus ancestrais (africanos) domesticados por um sistema escravagista, seus professores eram escravocratas que ensinaram que tudo que a elite faz, fala, sente está certo, em suma que essa elite deveria/e deve ser aplaudida sempre. Esses ensinamentos (psicológicos), foram sendo passados de gerações por gerações, e chegou no Davi. Por outro lado, temos a Wanessa Camargo. Uma mulher que nasce em família rica, acostumada a ter tudo, segue a carreira do pai, onde (talvez seja difícil dizer ou afirmar) que ela era boa cantora, lembrando que na época tínhamos a briga da elite (Wanessa Camargo versos Sandy) neste sentido podemos ficar apenas com a opinião dos fãs da Wanessa Camargo (sim ela era ótima cantora), ao
mesmo tempo teve o sequestro de seu tio, um episódio triste de violência, onde me lembro que a orelha do tio foi cortada, detalhe na época segundo os sequestradores o alvo seria a filha (Wanessa) não o tio.
Observação: o sobrenome Camargo, tem origem espanhola. Evidentemente que a família de Zezé Camargo pode não ter origem espanhola, o que não significa que em sua arvore genealógica não se tenha um antepassado espanhol. E ai voltamos e entendemos que com todas as facilidades da vinda dos imigrantes para o Brasil (dentro de um projeto político, de
embranquecimento da população brasileira) essa nação foi construída para eles, nesta ótica mesmo com todas as dificuldades passadas (e não me nego a reconhecer que de fato passaram), tinham um país para chamar deles, onde a pigmentação da pele, já determina quem são bons e quem são ruins, quem vão alcançar o sucesso e quem terá que lutar dez, vinte vezes mais para acessar o sucesso, quem vai contar com o apoio, comoção social e quem irá passar desapercebido por ela.

Essa nação brasileira, não foi construída para ver e sentir o Davi como ser humano, tão pouco para ver suas alegrias, esforços, qualidades ou qualquer positividade que Davi traga, como por exemplo, mesmo diante a perseguição ele se manteve limpando a casa, cozinhando para todos (se fosse uma pessoa caucasiana, não preta) ele seria dito como: uma pessoa humilde e que pensa no coletivo. Mas sendo Davi (preto) ele é visto (pelos os olhos da elite Wanessa Camargo e Yasmin Brunet) como; manipulador, violento, agressivo, um homem que desperta nelas gatilhos negativos, um ser humano que pra ela transmite
medo. Isso é o que a construção social do Brasil criou, é o que a elite Wanessa
Camargo e Yasmin fazem parte.
Alias, você já se observou que se não fosse Davi a higiene da casa, não existiria?
Com isso a elite não está preparada, e nem prepara seus filhos e filhas para uma competição saudável com seres humanos de melanina. Uma competição onde “brancura” não de vantagens e nem coloque como favoritos. Qualquer “mínima” competição, onde eles possam ter a ideia (e falei ideia) de não serem os protagonistas, ou os favoritos (traz medo, desconforto e aciona sempre gatilhos negativos), rapidamente, quase que de maneira involuntária inicia a desumanização do concorrente.
Essa é a tese que a meritocracia faz, da eles a vantagem de contar o sofrimento deles, e contar como mesmo diante da pobreza, se estudar e correr atrás do seu sonho, você consegue. Bom será que Wanessa, Yasmin seriam humilhadas e perseguidas como fizeram com Davi? Sabemos a resposta.
E tudo que elas estão fizeram com ele, não terá nenhuma consequência.
Por uma razão simples:
1) o Brasil foi construído para eles chamarem de “meu” (deles);
2) existe uma gigante economia (marcas e marketing) por de trás do sobrenome Camargo;
3) economia essa que assim como fizeram karol conka vai entrar em ação, alguém ouvi algo sobre o Projota? Não. Mas tudo que aconteceu com karol conka não abalou a carreira dela, por uma razão simples os investidores, patrocinadores e as marcas que estão nos bastidores não vão perder dinheiro, karol conka é um produto de marketing (não um ser humano), e Wanessa Camargo é uma mulher, filha de Zezé de Camargo (um produto de marketing) também.
Todavia você acha que acabou, sinto em dizer que ainda não, esse carnaval mostrou alguns fatores importantes (olhando superficialmente) eles não são ligados, mas são sim, eles estão bem interligados, pois eles vão de encontro a elite e aos pobres.
2° Parte
Vai-Vai termina o carnaval de 2024 em 8° lugar. Primeiro vamos aqui dar os parabéns a bicampeão Mocidade Alegre que venceu (totalizando 12 títulos), sendo vencedora pelo segundo ano consecutivo. Dito isso, vamos analisar a Vai-Vai, lembrando que perder faz parte do processo, todos que se dispuserem a enfrentar a corrida pelo título pode perder ou ganhar, sabemos disso.
Mas vamos entender dentro de que contexto podemos duvidar sobre o oitavo lugar da Vai-Vai.
“Capítulo 4, Versículo 3 – da Rua e do Povo, o Hip Hop: um Manifesto Paulistano”.
Vamos ler s sinopse:
Vai-Vai lança sinopse e abre a disputa do samba para 2024
Para o próximo carnaval, a Escola de Samba Vai-Vai terá como enredo “Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano”, mostrando a rua como espaço em constante disputa pela arte na cidade de São Paulo. Celebra ainda os 40 anos da cultura Hip Hop no Brasil, exaltando a arte urbana por meio de suas vertentes – DJ, MC, Break e Grafitti.
Vai-Vai 2024 A Saracura do Bixiga tem como idealizador do desfile de 2024 o carnavalesco Sidnei França, acompanhado de uma Diretoria de Carnaval, a mesma que levou o Vai-Vai ao título do acesso em 2023.
A proposta é trazer para o centro do palco da cidade as manifestações culturais que sempre ficaram à margem, escondidas nas periferias. Utilizando a linguagem popular dos MCs e DJs, por meio do Rap, o enredo reivindica a ocupação de espaços, assim como o reconhecimento pleno das expressões artísticas e culturais consideradas periféricas. Desta forma, é evidente, urgente e intrínseco o diálogo com temas necessários a uma sociedade plural e humanizada como a igualdade racial, o combate à intolerância religiosa e a diversidade em todas as suas formas.
Letra
Olha nós aí de novo, coroa de rei
Capítulo 4, Versículo 3
Vai-Vai manifesta o povo da rua
É tradição e o samba continua
Laroyê, axé me dê licença,
Saravá, seu Tranca-Rua
Eu não ando só, o papo é reto
E a ideia não faz curva
Renegados da moderna arte
Não faço parte da elite
Que insiste em boicotar
“Acharam que eu estava derrotado” “ooooooo”
Quem achou estava errado”
Corpo fechado, sou cultura popular
Meu verso é a arma que dispara
E a palavra é a bala pra salvar
Balançou, balançou o Largo São Bento
Moinho de vento, a ginga na dança
Grande triunfo do movimento
No breaking o corpo balança
Solta o som, alô, DJ
Que eu mando a rima pra embalar manos e minas
Na batida perfeita, meu rap é a voz
As cores da minha aquarela
No muro, a tela que o tempo desfaz
Mas apagar jamais (Vai-Vai, Vai-Vai)
A força do conhecimento
No gueto, procedimento
Atitude de gente bamba
Tem hip-hop no meu samba
É preto no branco, no tom do meu canto
Preconceito nunca mais
Fogo na estrutura
Justiça, igualdade e paz
Esse foi o título do enredo, e a letra do samba.
Sabendo sobre o enredo, lendo a letra do samba, e lendo sinopse, vamos lembrar da palavra “elite” mencionada na primeira parte desta análise.
O samba fala sobre:
1) Cultura Hip Hop;
2) Cultura periféricas;
3) Intolerância Religiosa.
Vamos recordar o que digo também a algumas décadas (duas pelos menos) que a periferias, favelas e guetos não são obra da ingenuidade, nem da má administração pública, não são. Elas são parte de um projeto político de exclusão social, que gera na elite judiciária um estereótipo de marginal e pessoas perigosas, violentas que por sua vez vão ao longo da história brasileira, despertando gatilhos na elite. Foi nessa ferida que a Vai-Vai sem medo foi mexer e mexeu de tal forma e maneira, que incomodou o sindicato dos delegados de SP, não apenas eles, incomodou também a ala política da extrema-direita, tanto que deputados da extrema-direita se movimentam para que a escola seja punida.
Para tentarmos sermos minimamente justos, vamos ler o que acham o sindicato e deputados:
Deputados federais criticam nesta segunda-feira, 12, o desfile da escola de samba “Vai-Vai “, de São Paulo, por trazer uma alegoria que, segundo eles, “demonizava” a Polícia Militar. As críticas se referem à ala que trazia integrantes usando roupas militares, escudos com a inscrição “Choque” e asas e chifres nos tons vermelho, laranja e amarelo. O deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ) classificou o ato como “escárnio”. “Lamentavelmente, vivemos uma sociedade na qual a polícia é desvalorizada e humilhada diariamente. Ao
invés de fazerem um desfile mostrando os agentes de segurança pública como heróis, fazem esse escárnio com esses heróis anônimos da sociedade”, disse Portugal. No mesmo sentido, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) disse torcer para que a agremiação seja rebaixada: “Torço para que uma escola de samba que promove esse tipo de absurdo seja rebaixada. Não há justificativa para fazerem tamanha imbecilidade contra os policiais, categoria que rala
diariamente, sob condições precárias, para proteger aqueles que eles nem conhecem”, declarou Gonçalves.
Também crítico ao teor do desfile, o deputado Coronel Telhada (PP-SP) falou em “inversão de valores”. Segundo ele, a Polícia Militar, por desempenhar um papel importante na sociedade, não pode ser retratada como a representação da escola: Um total desrespeito com a nossa polícia militar”.
Importantíssimo lembrar que vivemos desde de 2018 – a ascensão política da extrema-direita brasileira. Uma extrema-direita (que tem um fator importante, ela está diretamente ligada ao militarismo e a religião), são pessoas que: 1) não se rotulam como extrema-direita, dizem ser de direita o que é um equívoco ou cinismo, 2) esses fatores fazem desta extrema-direita, a extrema-direita mais perigosa da América Latina e do mundo.
Extrema-direita brasileira que tem sido encubada pelas igrejas neopentecostais e pentecostais por décadas, que se alinham ao militarismo.
Logo quando temos a ascensão política da extrema-direita brasileira, a Vai-Vai trás para avenida, tudo que essa polícia mais perseguiu na década de 90, o hip hop era/e é a voz mais contundente das favelas. Nesse mesmo sentido, temos um personagem central Racionais Mc’s, foram na década de 90 os que mais bateram de frente com sistema, exatamente com a polícia militar.
Eu poderia aqui trazer nessa análise a construção (criação) da polícia militar, isso com plena certeza iria elucidar ainda mais, porque não está errado; afirmar que a polícia militar não foi criada para defender a população em geral. Pelo contrário ela foi criada exatamente para defender a elite, e defender de quem?
A resposta é clara, defender tidos “vagabundos e criminosos” reflexo disso é que, favelas são invadidas e nela se entra atirando, se mata e pergunta depois, as favelas são palco de extermínio, onde o argumento falaciosa é combate as drogas; que combate nada, o combate verdadeiro é contra a população periférica, que tem como maioria dos seus moradores pessoas pretas/negras, fácil entender porque podemos sem medo ou receio afirmar que o verdadeiro e único combate é contra a população, como se entender uma polícia que atira e
mata crianças na escola, ou escolas que ficam na linha do tiro entre criminosos e matadores, como é possível entender mulher gravida morta por tiro (comprovadamente tiro de arma de polícias) e não de bala perdida, neste contexto de provas não é possível acreditar em bala perdida, quando essas balas tem sempre encontrado o corpo de pessoas negras. Esses argumentos são combatidos pela extrema-direita como (mi-mi-mi ou vitimismo) mas nunca
são combatidos de forma “honesta” com apresentação de dados que destrua
os argumentos aqui apresentados.
Essas denúncias que aqui fiz, são denúncias que as músicas dos Racionais Mc’s já faziam na década de 90. E aí vem outro ponto; hoje o Brasil vivência uma segunda guerra camuflada, que se chama “polícia religiosa-ideológica”, mas calma, vou explicar melhor.

Após a guerra santa deflagrada pela igreja Universal do Reino de Deus na década de 90 também, agora a mesma igreja começa a doutrinação das forças armadas, em especial da polícia militar do estado de São Paulo. Tudo isso acontecendo a luz do dia, embaixo das barbas do sistema, dos órgãos públicos como ministério público municipal, estadual e federal, mas todos se fazendo de “cegos” todos sendo cúmplice da tragédia do futuro.
Uma tragédia anunciada, pois hoje se falamos sobre “intolerância religiosa” significa que existe “intolerantes” e esses estão no poder, esses tomaram o poder político, e desenham a décadas o fim dos povos tradicionais de matriz africana, o candomblé e a umbanda (transformados) em inimigos pela igreja que estimulam o ódio contra outras culturas, religiões e culturas não suportam a laicidade do Estado Democrático de Direito, então hoje estão no fim do desenho maquiavélico contra os povos tradicionais de matriz africana.
Foi nesse vespeiro que Vai-Vai foi mexer. Então a pergunta que fica:
O oitavo lugar se deu como censura, como manifesto de repúdio a escola ou foi técnico?
Quem será que dará a resposta.
Eu de verdade não sei a resposta (imagino, suponho não por “achismo”, mas baseado em evidências aqui descritas), mas eu de fato não posso ter nenhuma certeza, a não ser a certeza que “ninguém” absolutamente ninguém terá a boa sorte de ver uma resposta.
Mas não posso concluir está segunda parte da analise, sem dar a oportunidade de você ouvir a fala do Governador de São Paulo Tarcio de Freitas (republicanos/sp).
Governador de São Paulo @tarcisiogdf da sua opinião sobre o desfile da @vaivaioficial segundo o gov a nota da Vai-Vai no quesito fantasia se ele fosse jurado seria zero - ele da sua justificativa para nota - mas a verdade mesmo ele não diz. A verdade é bem mais profunda do que ele diz, é vai além de muitas análises do qual tenho assistido favoráveis e contrárias. Para tanto devemos ao meu ver questionar o próprio governador, assim como a sua base sobre a opinião deles. Essa deve iniciar pela liberdade de expressão, o que seria liberdade de expressão na visão do governador de SP?
Vai-Vai merece zero, porque teve a ousadia de se expressar? Ou porque teve a coragem de mostrar artisticamente a visão da periferia?
Em outra ótica, importantíssimo mencionar que a Vai-Vai teve competência de mostrar no Anhembi pontos sensíveis a ala política da extrema-direita como:
1) intolerância religiosa
2) violência e truculência policial
3) periferia e favela
4) hip hop
E no ponto (4) não podemos esquecer que @racionaiscn foram os primeiros na década de 90 a bater de frente com sistema, os primeiros a denunciar a desumanidade na abordagem e na visão da polícia militar tinha da favela e de como agiam nas favelas. Por último e tão importante quantos os (4) pontos; menciono o (5) que é a elite - a construção da elite paulistana/brasileira e pensar sobre (elite) sobre a construção dessa elite, vamos entender a como se deu a criação da polícia militar e automaticamente vamos entender porque a polícia militar é a polícia que mais mata pessoas pretas no mundo. Daí então vamos tbm entender porque o governador de São Paulo, da nota zero a Vai-Vai.
Agora a cereja

do bolo:
O oitavo lugar da Vai-Vai foi uma classificação técnica ou ideológica? Eis a questão!
3° Parte
Você pode se perguntar, o que baby do Brasil tem a ver com tudo isso. Eu respondo tudo. Como falei anteriormente (na década de 90), deflagrado no Brasil uma guerra santa, a princípio silenciosa, mas com passar dos anos foi se tornando cada vez mais barulhenta. Paralelamente a isso os neopentecostais e pentecostais entendem rapidamente que eles tinham (mentes e poder de manipular essas mentes) a favor deles, ao mesmo tempo eles compreendem que só seriam fortes se tomassem para si a política.
Mas antes quero aqui trazer o pensamento de Josimar Silva – cientista político, sociólogo e professor UNB – onde mesmo faz uma reflexão importante sobre a fala de Baby do Brasil à Baby da coalizão apostólica, leia com atenção:
“Precisamos falar sobre Ivete, Baby e a Teologia do Domínio.
Vocês conhecem Ivete e Baby como cantoras até melhor que eu. Mas a cena deste carnaval que recolocou Baby em evidência diz muito sobre outra coisa da qual precisamos falar: a teologia do domínio.
Baby não é mais a “Baby do Brasil”, mas a “Baby das Nações”, como disse seu líder apostólico Renê Terra Nova (um Malafaia menos conhecido) há alguns anos.
Baby agora é parte de uma coalizão apostólica global.
Mas de que se trata?
A coalizão apostólica global é um movimento que busca “restaurar” o governo apostólico, considerando todos os outros “chamados” ministeriais (pastor, profeta, mestre, evangelista) subjugados a um/a apóstolo/a.
Parece até inclusivo, já que as mulheres podem ser “apóstolas” (se comparado a outros segmentos evangélicos que não aceitam que as mulheres possam ao menos ensinar. Mas não. A “restauração” ou criação de rede de apóstolos trata-se um projeto maior de domínio.
Primeiro um domínio sobre outros segmentos cristãos, com o alvo de colocar todos os cristãos sob a hierarquia dos “mantos” apostólicos. Há também um projeto de governo (mas não só político institucional), mas também de governo religioso, cultural, econômico, social.
Baby, ou melhor, Apóstola Baby das Nações, agora trabalha no projeto de expandir a cultura gospel para os espaços não alcançados. Inclusive ela declarou isso em entrevistas quando voltou aos palcos, anos depois da sua conversão.
Na perspectiva da Teologia do Domínio, à qual baby e a coalizão apostólica internacional se filia, a sociedade é constituída por “montes” sob os quais o conservadorismo cristão deve governar: igreja, educação e ciência, economia e negócios, governo, cultura e entretenimento o carnaval, sendo a maior festa popular do Brasil, não iria ficar de fora dessa.
A Teologia do Domínio diz que as igrejas não devem mais fazer retiros, mas devem ficar e ocupar as cidades lutando contra os deuses carnavalescos.
Quem acompanha o carnaval em Salvador e outras cidades de festas mais intensas já deve ter visto os “blocos gospel”. Eles não querem aceitar a cultura brasileira, eles querem impor a “cultura gospel”.
Foi exatamente isso que vimos em Campina Grande, na Paraíba, onde um grande evento gospel conservador, é realizado todos os anos na cidade (inclusive esse ano queriam trazer um pregador estadunidense defensor da escravidão). Aí o prefeito gospel tentou proibir o carnaval Baby não é uma chapada no puro suco de sincretismo no carnaval do Brasil.
Aquilo foi programado. E se repetirá muito por aí, não só nas festas.
Lembrem-se disso quando ver um sinal.
Ao ler, quero aqui novamente dizer; não existe nas “ações” nenhuma ingenuidade, pensar que existe é simplesmente não conhecer ou não ler as entrelinhas dos fatos. Neste aspecto Baby sabia exatamente o que estava fazendo, ela sabia com quem deveria fazer (Ivete Sangalo) foi um alvo escolhido estrategicamente, outro fator que o objetivo foi alcançado, era o de virilizar (este era o objetivo central), ao mesmo tempo o recado “sinais” aos seus pares (neopentecostais, pentecostais em sumas protestantes) foi dado.
Importante mencionar, não se trata apenas de tomar para eles a política, não é apenas um projeto político, está para além disso, é coloca-los no topo hierárquico do poder cultural, religioso, econômico e sociopolítica.
Em outras palavras, estamos falando de um projeto a curto, médio e longo prazo que envolve:
1) Sociopolítica
2) Sociocultural
3) Socioeconômico
Agora perceba, na década de 90 a igreja protestante desenha um projeto político, onde tinha um (ou alguns) focos;
1) a perseguição aos povos tradicionais de matriz africana 2) a demonização da cultura e religiosidade africana 3) ascensão econômica e política das igrejas.
Os três pontos aqui mencionados foram alcançados e tiveram seu topo em 2018.
Com a fragilidade em 2022 – quando extrema-direita perde o poder central da política. Ela se reorganiza rapidamente, afinal importante que se entenda, Bolsonaro era apenas um fantoche deste cenário. Impossível que um ser humano que não sabe sequer ler, que nunca leu nem se quer o livro do terraplanista Olavo de Carvalho (o mesmo morreu falando isso), teria condições intelectuais de arquitetar um plano desta complexidade.
Hoje essa extrema-direita religiosa, toma para si com anuência do estado, a doutrinação da polícia militar (da força bélica do estado).
É a elite se movendo, e ela não se move de maneira boba, agora ela se move e movimenta os pilares que sustenta a democracia ou que se entende por sustentabilidade da democracia. Você consegue agora entender o objetivo final deste projeto?
1) Colocar os pobres exatamente no lugar onde na visão deles (elite) jamais deveria ter saído;
2) Manter a população negra sobre o controle, sobre a impressão de bem estar com as migalhas dadas:
3) Exterminar qualquer tentativa, ou sobrevivência dos povos tradicionais de matriz africana no futuro;
Você ouviu logo no início falar sobre cultura gospel, e para se entender o que é cultura gospel, temos que compreender antes o que é gospel.
Gospel é uma palavra inglesa que significa evangelho.
Também utilizada para designar o estilo de música de alguns cultos religiosos, a palavra gospel teve origem na comunidade negra norte-americana.
Com o passar do tempo, o gospel passou a ser um estilo apreciado por pessoas do mundo todo.
O estilo gospel se caracteriza por uma harmonia simples, pelo gênero folclórico e pela intensa influência do blues.
Em inglês, a palavra gospel também é usada para fazer referência aos quatro primeiros livros do Novo Testamento da Bíblia (Mateus, Marcos, Lucas e João).
Conhecidos em português como "Evangelhos"; esses livros contam a história de vida de Jesus Cristo.
Etimologicamente, Gospel deriva de God-spell, uma palavra do inglês antigo considerada uma supressão das palavras Go(d);, que significa Deus e Spell; que indicava o ato de anunciar algo.
Esta palavra teve origem no grego euangélion, traduzido para o português
como evangelho.
Desta forma, gospel significa "boas notícias"; ou "boas-novas".
O gospel no Brasil
A palavra gospel costuma ser mais utilizada no Brasil como sinônimo do adjetivo evangélico.
É comum, por exemplo, que a palavra seja utilizada para fazer referência a um estilo de música e a um programa de TV.
Exemplos:
- Música gospel
- Cantor gospel
- Programa de TV gospel
A televisão brasileira também veio a reforçar a popularidade do gospel através da apresentação de diversos programas de TV voltados ao público evangélico.
A música gospel tem sua própria parada na conceituada revista Billboard, especializada em divulgar informações a respeito da indústria musical.
Quando entendemos o que é “gospel” vamos automaticamente compreender o que é cultura gospel do qual Baby do Brasil e Claudia Leite estão inseridas.
Importante lembrar que Claudia Leite, não mudou a letra de música agora, ela já fez isso em 2014, quando também mudou a letra de uma música, para não mencionar a deusa dos povos tradicionais de matriz africana, no caso Iyemonjá ou Imanjá, o ponto central aqui é, Claudia Leite assim como Baby do Brasil são “evangélicas” onde basta um pequeno e simples estudo sobre o cristianismo e o protestantismo, que você irá facilmente compreender a visão e opinião sobre o (carnaval), uma festa “profana”, onde vale mencionar que a visão dos evangélicos especificamente a 40 anos atrás, inclusive era de não ter (não assistir TV). Mas essa visão hoje é ultrapassada como falamos de neopentecostais e pentecostais, que tem a Teologia da Prosperidade como base central da sua pregação, e assim como base também o comercio da fé, ação essa que facilmente podemos identificar ao assistir a Rede Record de
Televisão (programas da Universal do Reino de Deus), Mundial do Poder de Deus ou Internacional da Graça por exemplo, essas igrejas tem a “comunicação em massa”, como ferramenta de poder, e disseminação da sua pregação mas também “vendas” dos seus produtos como; chave do céu, agua santa do rio Jordão, e quem lembra do feijão da cura durante a pandemia de Covid-19. Sendo assim essas igrejas mudaram a visão do evangélico, sobre a televisão, por ser tratar de uma indústria forte e rica, passaram também a investir na cultura (na mudança cultural) do Brasil. Hoje assistimos vários municípios sendo entregues (chave do município) a Deus, assistimos o enorme esforço para disseminar a ideia do acarajé de Deus, capoeira gospel, e nos últimos anos bloco de carnaval gospel.
Volto a dizer, estamos falando do Brasil, e quando falamos do Brasil eu sempre digo que não existe ingenuidade, mudar e interferir na cultura local, regional e nacional faz parte de projeto político-religioso neopentecostal do qual a extrema-direita encabeça esse projeto e leva esse projeto a sério. Essa é a melhor forma de promover a superioridade “cristã” sobre as outras religiões e ao mesmo tempo o apagamento de toda e qualquer religião, por consequência
se extermina um povo, uma cultura, memoria ancestral, etnias e cosmovisões divergentes da deles.
Retorno a mencionar:
1. Doutrinação da polícia militar
2. Uma polícia ideológica e armada
3. Demonização de culturas e religiões
4. Perseguição e estimulo de ódio
5. Cultura gospel
6. Mudança e apropriação cultural
Estes seis pontos juntos, mais a ocupação e poder político formam a TRAGÉDIA ANUNCIADA e ignorada pelos poderes públicos competentes.
Os três pontos de conexão estão devidamente apresentados a vocês, do qual antes de mais nada quero desde já agradecer a vocês por me prestigiar lendo este artigo, entretendo enquanto eu e minha equipe finaliza essa edição, me lembrei de outro artigo que publiquei no facebook em 04 de fevereiro de 2024, ao voltar a ler esse artigo encontro nele uma conexão com o terceiro tema (logo acima) descrito, no artigo publicado no facebook titulei de - GALINHA DA MACUMBA.
Não trata-se de ideologia, nem de emoção, trata-se de racionalidade. Entende isso?
Ok. Então vamos lá...
Quando você olha do contexto histórico, analisa ele profundamente e compreende que este país chamado Brasil, está totalmente entrelaçado no racismo e por isso ele passa a ser estrutural, e a partir daí este racismo estrutural gera (tem) tentáculos em toda a sociedade brasileira.
Quando toda essa estrutura escravagista, sustenta a cadeia de privilégios a partir de uma única raça (e essa raça ao qual me refiro) não apenas uma “raça humana” já que todos/todas somos pertencentes a raça humana, porém o privilégio não atinge a todos, basta olhar por exemplo a própria Inteligência Artificial (onde) através do reconhecimento da pessoa, prende mais pessoas pretas/negras do que pessoas não negras/pretas. Você também pode constatar isso no próprio judiciário, que através do racismo, cria um estereótipo de criminoso, estereótipo esse que pessoas não pretas/negras não são inclusas, mas atinge diretamente pessoas negras/pretas.
Em vários aspectos da sociedade podemos observar isso, basta sermos realistas. Dou mais um exemplo, hoje o mais cotado a vice-prefeito na candidatura a reeleição do atual prefeito de São Paulo, é um o ex-comandante da Tobias de Aguiar (Rota), coronel Mello Araújo; ele que diz em 2017 o seguinte:
“É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente."
Mello Araújo afirmou que os PMs que atuam na região nobre e na periferia de São Paulo adotam formas diferentes de abordar e falar com moradores.
Se você nunca se perguntou o porque, então é a oportunidade de você se perguntar. Para tanto você precisa saber porque existem as favelas no Brasil. Volto a afirmar o que sempre falo, “não é obra da ingenuidade, nem da má administração pública” pelo contrário as favelas são o pagamento histórico de 400 anos de trabalho escravo, forçado, 400 anos de desumanização, violência psicológica, física e sexual sistêmica. Onde mulheres e a homens africanos (as) eram violentados sexualmente, diariamente pois eram vistos apenas como 1) seres humanos inferiores, 2) produto comercial, 3) pedaço de carne que servia para satisfazer seus senhores e senhoras; neste aspecto importantíssimo que não se esqueça (mulheres não negras) eram tão ou mais perversas que seus maridos, filhos, tios, avós etc...
Outro fator importantíssimo, que não pode ser esquecido (não deve), crianças negras/pretas (descendentes de africanas), fruto do estupro destas mulheres, eram objetos valiosos, nesta compreensão eram vendidos como mercadorias, suas mães mulheres negras/pretas era usadas como ama de leite, aos seus filhos (as) não negros/pretos.
Correndo afrente da história, chegamos a ao 13 de maio de 1888, neste dia se abre as portas das senzalas. Apenas isso e nada mais que isso, seres humanos foram jogados na rua sem sem assistência do estado, sem humanização, a consequência disso (anteriormente foi uma serie de projetos de lei, onde impedia que essas pessoas frequentasse a escola, tivesse acesso a terra, saúde e qualquer reparação do estado), posteriormente a lei áurea, essas pessoas estavam entregues a própria sorte. Com isso tudo que sobrou a elas, que após a lei da vadiagem poderiam ser presas (após as 22H00) na rua, foi se afastar das grandes zonas urbanas, e daí então nasce as favelas.
Então vamos recapitular, pessoas africanas e descendentes de africanos, era pessoas sem alma, sem caráter, sem inteligência, sem intelectualidade, eram vistas como raça humana inferior, após as favelas perderam qualquer entendimento sobre “dignidade”, este território passou a ser estigmatizado como violento, lugar de vagabundos, bandidos, sem nenhuma assistência do estado, sem infraestrutura adequada, sem CEP e sem segurança pública. Um lugar onde a polícia poderia entrar matar é tudo bem, os mortos da favela são pessoas sem alma.
Um território brasileiro, instituído basicamente para desumanizar seres humanos (com tudo ainda existe outras ) outras complexidades. Mas que estamos falando de território endemonizado, desumanizado que não tinha o direito e ainda não se tem direito de ter saneamento básico.
Porém esse lugar, esse território que foi colocado como pagamento histórico, passou também a ter moradores que em “tese” não deveriam estar nele, que são pessoas brancas. Isso ao mesmo que trás uma complexidade no entendimento, também afirma o privilégio, onde moradores não negros/pretos até nisso recebem tratamento diferenciado por parte da polícia, essas não tem o estereótipo de bandidos. Ao mesmo tempo, essas pessoas tem “má sorte” por estarem morando na favela, quando saem elas reforçam o braço forte do tentáculo da desumanização, que é que é discurso da meritocracia.
Então o coronel da Rota, quando fala da diferença de abordagem em território, aoss milhões de favelados ele não falou nenhuma novidade, nós sempre soubemos disso, na pele e na alma.
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Tudo isso entendido, chegamos ao candomblé.
Candomblé, que era/é o Culto a ancestrais, anteriormente ao 13 de maio de 1888, já praticado nas senzalas, afinal ele era a fé, crença e afago do sofrimento que violência trazia a estes seres humanos, após o 13 de maio, e após a ocupação das favelas, passou a ser uma religião de negros/pretos bandidos, ladrões, traficantes, e prostitutas (lembra-se que essas pessoas eram vistas assim, por consequência esses territórios também eram), uma religião que sofreu toda a sorte de perseguição possível e impossível, até porque era uma religião que recebia a proteção da capoeira (dos capoeiristas).
Vamos correr mais um pouco; Chegamos a década de 90.
Quando chegamos aqui, vamos ver a guerra santa deflagrada pela igreja Universal do Reino de Deus, onde um bispo chuta Nossa Senhora Aparecida.
“Era tudo que o sistema queria”
A igreja neopentecostal entendeu na prática o que de fato era poder. A igreja católica ensinou a eles que o poder, não era o dinheiro, mas sim a caneta. Edir Macedo aprendeu rápido, foi bom aluno. Em 2002 um projeto de lei facilita a abertura de igrejas, transformando assim o que antes era fé, em um mercado de negócio lucrativo. Chegamos em 2024, um ano eleitoral de suma importância, eleições de vereadores e prefeitos (as) em todo o território nacional.
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Entramos na política, à famosa política e a tão falada representatividade.
Temos no Brasil mais “templos religiosos” que escolas e hospitais juntos.
Por outro lado temos no congresso nacional a segunda maior bancada temática a evangélica.
Parece que como um brinquedo lego tudo se encaixa; um projeto de lei que favorece a abertura de igrejas (2002), em 2024 temos mais templos que escolas e hospitais e segunda maior bancada evangélica no congresso nacional.
Entende que nesse contexto, para se eleger um parlamentar seja a nível nacional, estadual (distrital) ou municipal é necessário ter (ser) filiado a um partido político? Entende também que esses parlamentares não estão apenas na extrema-direita, estão no centro, na direita e na esquerda? Então...
Em todo esse contexto, vamos pensar em representatividade, como ainda não temos?
Apenas porque historicamente fomos ensinados a não votar uns nós outros?
Vejam bem, tenham o que chamo de olhar de coruja 360° graus.
Você acha que evangélico querem que tenhamos poder? Hoje falamos em liberdade religiosa, falamos em cultura de paz, falamos em inter-religioso, certo? Porque?
Quem mais infringe, rasga a constituição federal, extrapola as leis vigentes, quem tem a cultura de estímulo de ódio, quem entrega municípios a Deus (inclusive entregando a chave das cidades) ao altíssimo, somos nós?
Sabemos que não, você sabe que não e eles também sabe que não somos nós.
Você acha mesmo que eles nós querem na política (eleitos na política)? Acha?
Acha que os partido políticos nós querem eleitos? Veja a força das igrejas e olhe a nossa antes de responder, pense bem.
Senhoras e senhores, a política é matemática, a urna eletrônica não conhece ideologia partidária nem religião, a contagem do votos é número (matemática) neste sentindo, peço licença a nobre advogado Dr. Hedio da Silva Junior para usar a fala dele:
Não nós elegemos , não apenas pela cultura histórica de não votar uns aos outros, mas também porque o “frango da macumba” não nós deixa buscar votos fora da nossa comunidade, não nós deixa abrir uma outra frente de captação de voto na sociedade brasileira que tem o racismo estrutural entrelaçado em suas entranhas.
Neste contexto todo, enquanto os povos tradicionais de matriz africana, não entenderem que a política é sobretudo estratégia, e não criarem estratégias que invada, abra outros horizontes eleitorais que não seja o terreiro, que perpasse os povos e comunidades tradicionais de matriz africana, seremos sempre apenas narrativas sem representantes.
Enquanto não tivermos poder de locução, interlocução e disputa de narrativas, disputa de votos com as igrejas, ficaremos sempre restritos ao “frango da macumba” o frango não vai na urna.
Termino essa logo analise de construção sociopolítica, nela faço uma contextualização histórica e contemporânea dos fatos que contribuem para que primeiro tenhamos jovens (não pretas) explorando sua potência racista ser e agir, segundo denunciando e alertando que fundamentalistas religiosos não ocupam apenas a politica brasileira, hoje eles querem avançar para tomarem a cultura nacional (e fazer disso) a imposição de sua religião, por ultimo toda essa analise tem como fenômeno de conexão a "elite e poder da religião" à denuncia é os mesmo extremistas que estão na politica nacional, estadual e municipal são os mesmo que hoje estimulam e executam a "doutrinação da policia militar" se faz necessário, é urgente que órgãos fiscalizadores como ministério publico estadual, municipal e federal não se furtem a responsabilidade de atuarem a favor do cumprimento e manutenção da lei; no que tange a preservação da constituição federal.
Autor - Ronaldo Arruda
Historiador, Dr. em Ciências Politicas, Teólogo, Bacharel em Assistência Social e Apresentador e Diretor da TV Quattrô Streaming.
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