“Militarismo, milícias e conexões entre extrema-direita é religião”
Senta aqui, vamos conversar, diante do cenário temos o dever moral de entender, estudar para compreender do que de fato se trata aqui. Mas para darmos continuidade neste diálogo pertinente temos que antes se despir de algumas coisas:
1) De julgamentos
2) De ideologia
3) Do falso moralismo
4) Do sentimento de sabe tudo.
Bom ao concluir estes quatro pontos, vamos ao título deste papo.
“Militarismo, milícias e conexões entre extrema-direita é religião”
Sentiu que o diálogo aqui vai ser pesado né? Pois é...
“É nele que vamos navegar e mergulhar, depois dele e depois que você chamar sua família, amigos toda a comunidade então você estará qualificado para expressar seu voto nas urnas.” Eu sou Ronaldo Arruda, historiador, cientista político e vou caminhar ao seu lado nessa leitura.
Vamos começar entendo aqui sobre o Militarismo, o que seria este conceito?
“O termo militarismo é derivado do substantivo latino miles, plural, militis (soldado, soldados), que é combinado com o sufixo grego “ismo”, comum em muitas palavras em português, originalmente derivado do grego antigo, e utilizado com frequência em filosofia e política para fazer referência a uma ideologia de algum tipo.”
Militarismo é o nome dado a uma filosofia que é favorável à preponderância do elemento militar na vida política e administrativa de uma nação. É a expansão das práticas militares para a vida política e social de uma nação. Tal conceito defende que uma expressão militar do poder de um estado é fundamental na formulação e condução das políticas públicas, e consequentemente resulta na preponderância da classe militar em relação aos civis, ou a sua forte influência na tomada de decisões.
As ideias do militarismo aparentemente se fazem presentes há muitos séculos, em íntima relação com o fenômeno da guerra. O enfrentamento armado entre os grupos humanos parece ser uma contingência da história do homem. Gradualmente, tais grupos começam a se armar, não só para caçar e defender-se dos animais ferozes, mas também para atacar os outros grupos hostis de forma planejada.
No Brasil, as ideias militaristas tiveram um campo bastante fértil durante mais de cem anos, entre a metade do século XIX e a metade do XX. A guerra do Paraguai foi o ponto de partida para uma maior mobilização da classe militar. De fato, os dois primeiros presidentes do Brasil república foram militares (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto). Após um período de “recesso”, os militares voltam a influenciar os acontecimentos nacionais com os movimentos tenentistas da década de 20 do século XX, que culminaram no golpe de 1930 contra a chamada “república velha”. Os militares voltarão a interferir no jogo político ao destituir Getúlio Vargas em 1945, e dez anos depois, na tomada de posse de Juscelino Kubitschek.
Finalmente, com o golpe de 1964, os militares terão a oportunidade de administrar o estado e colocar em prática os conceitos do militarismo, com resultados bastante questionáveis. Hoje em dia, a doutrina militarista é mais condenada do que aceita, e tanto no Brasil como no exterior, sua prática encontra-se em retrocesso.
Veja que ironia do destino;
O militarismo hoje está presente em diversas nações, como Coréia do Norte, Israel, Rússia, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Índia, Venezuela, entre outros.
Agora que você sabe sobre “militarismo” vamos mergulhar em outro entendimento tão importantes quanto, como nasce (origem) das “milicias” e como são formadas no Estado do Rio de Janeiro.
As milícias existem no Rio de Janeiro desde a década de 1970, controlando algumas favelas da cidade. Um dos primeiros casos conhecidos é o da favela de Rio das Pedras, na região de Jacarepaguá, onde comerciantes locais se organizaram para pagar policiais para que não permitissem que a comunidade fosse tomada por traficantes ou outros tipos de criminosos, em 1979.
No início do século XXI, estes grupos parapoliciais começaram a competir pelas áreas controladas pelas facções do tráfico de drogas. Em dezembro de 2007, segundo relatos, as milícias controlavam 92 das mais de 300 favelas cariocas.
Os primeiros relatos sobre a expansão recente e repentina das forças milicianas descreviam a milícia como uma forma de segurança alternativa, por oferecer, às favelas, a oportunidade de se livrar da dominação das facções do tráfico. A ação das milícias começou a ser relatada na imprensa brasileira em 2005, quando o jornal O Globo denunciou grupos que cobravam pela segurança, marcando símbolos de trevos de quatro folhas, pinheiros, entre outros, nas casas dos clientes, de forma a demonstrar quais destas moradias estariam protegidas por cada grupo. Ainda hoje, este tipo de marcação ocorre nas favelas controladas por milicianos, prestando um serviço que, teoricamente, deveria ser oferecido pelo Estado devido ao pagamento de impostos.
De início, muitas pessoas das favelas deram o seu apoio, chegando a eleger líderes de milícias a importantes cargos políticos, como os de vereador e deputado. Comentaristas dos meios de comunicação, políticos e até o então prefeito da cidade, César Maia, também apoiaram os grupos de milícias. César Maia, inclusive, chegou a chamá-las de "autodefesas comunitárias" e um "mal menor que o tráfico".
Entretanto, não tardaria para que emergissem histórias nas favelas mudando essa imagem positiva. As milícias acabaram tomando conta dos lugares com violência e, depois, sustentavam sua presença através da exigência de pagamentos semanais dos moradores para manter a segurança. Além disso, como as facções do tráfico, os milicianos começaram a impor toques de recolher e regras rígidas nas comunidades, sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento e atuando com suas próprias regras e julgamentos.
Entre 27 e 31 de dezembro de 2006, facções do tráfico lançaram uma série de ataques contra alvos da polícia, civis e até do governo em toda a cidade, em represália ao avanço das milícias. Os traficantes incendiaram ônibus e jogaram bombas em edifícios públicos. Dezenove pessoas foram mortas, sendo dez civis, dois policiais e sete criminosos Em um incidente, traficantes mataram sete pessoas quando incendiaram o ônibus em que viajavam. Dois passageiros morreram mais tarde no hospital devido à gravidade de suas queimaduras e outros 14 ficaram seriamente feridos. A polícia prendeu três homens e confiscou armas de fogo, granadas e munições. A polícia fluminense reagiu da mesma forma, matando mais de cem suspeitos pelos ataques.
A partir de então, o governo estadual empossado em 1º de janeiro de 2007 liderado pelo governador Sérgio Cabral reconheceu a crescente ameaça das milícias ao poder do estado. O secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, e o chefe da Polícia Militar confirmaram sua existência e iniciaram investigações dos policiais suspeitos de envolvimento em atividades ilegais ligadas a essas milícias.
O governador Cabral declarava, em fevereiro daquele ano, que, independentemente de haver um mandado de prisão, prenderia qualquer cidadão ligado a poderes paralelos como o tráfico e as milícias. O governo anterior, de Rosinha Garotinho, não reconhecia a existência dos grupos parapoliciais.
Na época, a polícia e o Ministério Público (Brasil) diziam que a filiação a uma milícia não constituía delito criminal de acordo com a lei brasileira, o que não permitia processar as milícias como um grupo.
Nos anos subsequentes se teve inúmeras denúncias também das ações de milícias no Estado do Rio de Janeiro, ainda segundo a fonte destas informações o “Livro Milícias - Ameaça a Autoridades e Domínio das Facções” também existe a expansão da atuação das milícias em outros Estados como: São Paulo, Bahia, Ceara, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Assim como o tráfico, as milícias também possuem suas facções. Uma das mais conhecidas é a Liga da Justiça. Em 2018, foi apontado pelo delegado Cláudio Ferraz que diversas facções menores, surgidas a partir da Liga da Justiça, pagariam a ela uma porcentagem dos seus lucros.
Milícias historicamente conhecidas como rivais da Liga da Justiça teriam sido, segundo as investigações, o Comando Chico Bala, além do grupo comandado por Jorge Babu.
Há ainda a milícia chamada Escritório do Crime, que atua na zona oeste do município do Rio de Janeiro e que surgiu da exploração imobiliária ilegal em atividades como grilagem, construção, venda e locação ilegal de imóveis.
Bom agora que vimos juntos militarismo e milicias (e pudemos compreender o que são, o que significa e qual a origem) podemos facilmente fazer a conexão entre elas, mas o que a religião entra nesta neste entendimento? Vamos juntos compreender isso juntos!
Em uma entrevista ao Instituto Humanista Unisinos (IHU) a professora Christina Vital Ela analisa os chamados ‘traficantes evangélicos’ e sua atuação em periferias já dominadas pelo tráfico de drogas e, mais recentemente, pelas milícias.
Para Christina, “não se trata de pensarmos esta relação, esta aproximação entre criminosos e redes e códigos evangélicos a partir da ótica da conversão, de uma transformação da vida do indivíduo, mas de uma composição específica que envolve expectativas de transformação, apelos morais, conexão com narrativas locais e uso de uma religião como ícone de dominação”. Assim, a religião seria mais uma forma de demonstrar poder.
A professora ainda observa que o crescimento das igrejas evangélicas entre os dirigentes do tráfico é mais sintoma do crescimento que vem ocorrendo como um todo no Brasil, especialmente nas periferias. “Nestas áreas havia muita filantropia católica feita por freiras (católicas) residentes. O apoio social também era exercido, embora de modo menos estruturado, por terreiros de candomblé e casas de umbanda que exerciam suas atividades religiosas nessas localidades”, recorda, ao lembrar que todas essas ações vão diminuindo na mesma proporção em que a penetrabilidade das igrejas evangélicas vai aumentando.
“Ao mesmo tempo que existe essa “penetrabilidade” das igrejas evangélicas dentro das periferias brasileiras (em especial no Estado do Rio de Janeiro) os terreiros começam a sofrer a hostilidade, até que finalmente por uma demonstração de “poder” e não de transformação da vida (pela fé) ou crença em Deus, os traficantes em nome de Deus inicial a expulsão dos terreiros de seus territórios, com desculpa (infame e intelectualmente criminosa) que os “povos tradicionais de matriz africana” são pessoas que cultua o mau e proprio diabo.” Ronaldo Arruda
Tal inserção se dá pela escuta, aproximação e relações de confiança que se estabelecem numa espécie de vazio nas relações com outras instituições e entidades, como o próprio Estado. “Não acho correto dizermos que a Igreja cresce onde o Estado não está presente. O Estado está presente nessas localidades, mas de modo precário, reforçando sentimentos de desconfiança, elemento corrosivo da vida social”, pondera.
Estado esse que também está à frente da gestão do sistema carcerário, mas que, mais uma vez, deixa lacunas que na prática só são preenchidas por ações como as das igrejas evangélicas. E não só: Christina revela que os evangélicos estão nas direções dos presídios, são funcionários, o que indica mais um sintoma do crescimento dessa prática religiosa. “Para reverter o quadro de ascendência de algumas religiões no sistema penitenciário, uma profunda reforma teria de ser feita. Pois, diante da precariedade estrutural e da desumanização às quais os encarcerados estão submetidos, as instituições religiosas, com destaque para as evangélicas pelo volume de sua presença, têm sido fundamentais para a sobrevivência de inúmeros internos e para a organização cotidiana dos próprios gestores desses espaços”, analisa.
Com tudo isso, não é difícil imaginar por que tráfico, milícia e práticas evangélicas ficam imbricados nas periferias. “A subjugação de moradores é uma demonstração de força, de domínio. Uma atitude que combina crença religiosa com um modo de operação corriqueira do crime. Chama a minha atenção uma narrativa ‘moralizadora’ que vem acompanhando estas ações”, salienta.
Christina Vital da Cunha é professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense - UFF, coordenadora do Laboratório de estudos em política, arte e religião - LePar e colaboradora do Instituto de Estudos da Religião - Iser. É autora do livro Oração de Traficante: uma etnografia (Rio de Janeiro: Garamond, 2015) e coautora de Religião e política: uma análise da participação de parlamentares evangélicos sobre o direito de mulheres e de LGBTS no Brasil (2012), entre outros livros e artigos.
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Fizemos um panorama profundo sobre todos os entendimentos ao qual nós propomos no início deste diálogo fazer, acredito que agora você já entendeu muita coisa, certo?
Maravilha, agora temos condições para chegarmos ao ponto central deste entendimento, que e exatamente a relação (conexão) de todas essas informações com a extrema-direita, ela não nasce em 2018, pelo contrário ela antecede 2018, ela sempre esteve presente na sociedade, assim como na política brasileira, porém sempre camuflados como sendo de “direita” outro fator fundamental e compreendermos quem alimentou durante tantos anos a extrema-direita é aí que vamos encontrar o que eu chamo de leitura das entrelinhas, neste sentido precisamos fazer uma análise profunda sobre os códigos da religião, neste caso o “cristianismo” em questão manteve/e ainda mantém conceitos, valores e princípios importantíssimos que a partir daí fazem sua construção de mundo e direciona pessoas através da fé e da palavra ou vontade do criador (lembre-se que estamos falando do cristianismo) então o slogan da campanha de 2018; que ainda hoje se reverbera pela Brasil faz total sentido (principalmente quando ele não é analisado na luz da história) que é:
“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”

Aos olhos simplistas é um discurso lindo, sem nenhuma maldade não é verdade, pois bem...
Vamos aqui ver a história pelo retrovisor! Especialmente e fora dos temas propostos no inicio deste dialogo, mas de suma importância saber e compreender nesta atmosfera proposta neste artigo sobre como nasce o fascismo no Brasil.
“Deus, pátria e família”. Você provavelmente não acredita em Jair Bolsonaro ao ler este lema, mas o atual presidente da República é o primeiro a dizê-lo no Brasil. As palavras, e nesta ordem, idênticas à lema exata da Integralista Brasileira (AIB), o movimento inspirado no fascismo bordão: “Dio, patria, famiglia”. Em fevereiro, Bolsonaro mencionou o slogan ao cumprir o primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, em viagem ao país do leste da Europa.
Considerando-o fascista ou não, faz sentido dizer que Bolsonaro ecoa o movimento brasileiro fundado pelo jornalista Plínio Salgado em 1932. Da mesma forma, o slogan “Brasil acima de tudo”, da campanha presidencial bolsonarista em 2018, copia o “Deutschland über alles ”, ou “Alemanha acima de tudo”. Esse era o primeiro verso de uma canção nacionalista do século 19 da qual Adolf Hitler era fã e que virou lema do partido nazista.
Como se vê, engana-se quem pensa que os ideais e símbolos fascistas foram enterrados com a derrota dos países do Eixo na Segunda Guerra Mundial. O fascismo segue vivo, pulsante, e sua visão de mundo está se manifestando com força. Na definição do cientista político estadunidense Robert Paxton, autor de A Anatomia do Fascismo (Paz & Terra, 200), esta ideologia é um político estadunidense à morte. E, para o jornalista brasileiro Pedro Doria , o fascismo visa destruir a estrutura social vigente para instalar, no lugar dela, a que considera ideal. “Para isso, ele precisa incitar a violência, e Bolsonaro incita alguns tipos dela”, analisa o autor do livro Fascismo à Brasileira (Planeta, 2020). “Ele é inimigo da Constituição de 1988, que é liberal e estabelece direitos sociais, individuais e ambientais, abrigando os direitos dos indígenas, das mulheres e dos pobres. O desejo dele é que o Brasil é devolvido ao que era na época da ditadura.”
“O número de grupos de extrema direita no Brasil passou de 334 em 2019 para 530 em 2022”
Episódios recentes também remontam aos anos de chumbo. No final de maio, o país se chocou com a morte de Genivaldo de Jesus Santos, um homem negro de 38 anos, asfixiado em uma “ câmara de gás ” improvisada por policiais no porta-malas de um carro da Polícia Federal Rodoviária de Sergipe. E casos como esse não são isolados. A polícia brasileira matou mais de 6,4 mil pessoas em 2020, segundo o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2021. É o maior número anual de mortes em decorrência de intervenções já registrado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) ).
“Através do discurso, Bolsonaro ajuda a instalar um cenário de caos em que lobos solitários agem”
Caos instaurado
É importante observar como semelhanças do momento atual e de cem anos atrás. A relação em relação ao futuro, por exemplo, é comum às duas épocas. No começo do século 20, o processo “Através do discurso até, Bolsonaro ajuda a instalar um cenário de caos em que lobos solitários agem” Pedro Doria, jornalista e escritor de industrialização se iniciava na Alemanha e na Itália, então países de economia agrícola. Cada vez mais pessoas mudavam-se do campo para os centros urbanos, e os traumas da Primeira Guerra Mundial — conflito do qual ambos os países saíram economicamente destroçados — e da Gripe Espanhola ainda reverberavam. Os índices de inflação e desemprego estavam nas alturas.
Assim como vemos hoje, são problemas que não se resolvem do dia para a noite. O discurso demagógico da solução mágica, portanto, é um bocado atraente para quem está em desespero. É muito mais fácil velarizar grupos e setores da sociedade do que propor a reconstrução de sua paulatina. Na Itália, os bodes expiatórios pelo fascismo , protagonizado pela figura de Benito Mussolini, foram escolhidos homossexuais , militantes políticos de esquerda, juvenis e eslavos. Na Alemanha, Hitler incita a violência também contra esses grupos, além de negros, ciganos e outros. O ultracatolicismo era mais um elemento comum aos extremistas da direita.
A retórica de um passado mítico e glorioso, com uma capacidade de retorno de força masculina — “eu o poder do povo e assim posso superar o inimigo” — é atraente em um ambiente como o pós-guerra. Em artigo publicado na revista Aeon, a cientista política Sheri Berman, professora da Universidade Columbia, nos EUA, analisa que o fascismo prometia também uma restauração da ordem, além de proteção social e patrimonial. Com isso, resolver problemas do capitalismo que o estabelecimento não solucionou problemas. O estado que garantiu o sucesso ao avanço do fascismo foram estabilidade econômica de bem-estar social que esses governos emplacaram, e não a estabilidade econômica do fascismo, o ódio e o genocídio das populações, como fez parecer. “A solução fascista foi, em última análise, pior do que o problema”, conclui Berman.
Ainda sobre o retrovisor da história, nada e ingenuidade (já falei isso inúmeras vezes, e não me canso de falar) olhe que interessante está guardado na gaveta da história:
Em 4 de junho de 1910, o jornalista e poeta Plínio Salgênio de 1922 — que havia participado da Semana de 1922 poemas de autoria própria — viajou a Roma, onde Mussolini, onde Mussolini, a quem leu ele chamou de “criador da política do futuro do futuro”. Ele retornou ao Brasil em 23 de outubro daquele ano, na véspera da Revolução de 1930, em que o então Washington Luís foi deposto. Naquele contexto, Salgado começava a articular um projeto de nação fascista para o Brasil. A AIB foi fundada dois anos depois, partindo do princípio de que comunismo e capitalismo “são faces da moeda”, que seria o judaísmo. O movimento tem o antissemitismo, o anticomunismo e o antiliberalismo em sua essência.
Assim como seus “primos” europeus, o integralismo tinha uma cultura própria, com símbolos e ritos. Os membros vestem camisas com o emblema do movimento, a letra sigma grego (Σ) do alfabeto , bordada dentro de um disco branco. Em casamentos, os homens usavam farda e as mulheres, cerimônia civil, uma camisa verde, enquanto na, vestido branco com o emblema no peito, próximo ao coração. O bebê era o sacramento da juventude, a presença da família e o chefe local após a juventude do movimento. Ao final do rito, todos gritavam: “Ao futuro pliniano, o seu primeiro ‘anauê!”.
“Anauê” era a saudação dos integralistas. A expressão vem da língua indígena tupi e significa “você é meu parente”. Ela era proferida com o gesto do braço erguido, semelhante às saudações do fascismo italiano e do nazismo. Eles também tinham suas escolas próprias, reuniões para práticas esportivas, jornais, colônias de férias até revistas de consumo, como cigarros e doces. Entre seus intelectuais e um nome de projeto do poeta Vinicius de Moraes , o historiador Câmara Cas, ou reitor da Universidade de São Paulo ( USP ) Nobel da Paz.
O integralismo o traz outros problemas com o Brasil contemporâneo: milícias. Elas contavam com seções dedicadas a cuidar de atividades de inteligência e desenvolvimento de treinos para combate armado. Menores com idades entre 4 e 15 anos eram aliciados, passando por diferentes etapas do treinamento. Dos 16 aos 42, todo integralista deveria se alistar. Os juramentos envolviam devoção absoluta à causa, inclusive dando a própria vida.
Em outubro de 1934, integrantes do movimento fascista foram atacados na Praça da Sé, em São Paulo, por militantes socialistas, comunistas e anarquistas. Armados no topo dos prédios ao redor da praça, eles dispararam contra as camisas-verdes, o que parecia parecer. O Jornal do Povo, uma publicação de esquerda, tirou com sarro dos fascistas manchete: “Um integralista não corre: voa”. Os brasileiros fascistas receberam o apelido pejorativo de “galinhasverdes”, e os políticos do movimento levavam (literalmente) as galinhas verdes na rua para fazer chacota com os seguidores de Salgado.
Em artigo disponível no acervo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o cientista Hélgio Trindade relata que o número de adesões ao movimento teve um crescimento “vertiginoso” após um episódio em Bauru (SP), quando um tiro disparado contra o líder integralista atingiu e matou outro homem. A quantidade de confrontos cresceu ainda mais após a formação da Aliança Nacional Libertadora (ANL).
Levantamento feito por Trindade indica que, em agosto de 1935, os integralistas contabilizaram aproximadamente 400 mil membros e 1.123 grupos organizados. No plebiscito interno realizado em 1937, foram constatados 1 milhão de votos em potencial para Salgado na eleição presidencial a ser realizada no ano seguinte. Mas é possível que isso não fosse verdade. Nove anos, o depois, em uma carta, o depois: “Não é vergonha nós 200 mil e, sabendo que não escrevemos, o depois disso, não incorreremos em erros perniciosos”.
Estado velho
A eleição não aconteceu. Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas instaurou, por meio de um autogolpe, o Estado Novo, proibindo a existência de partidos políticos e fechando o Congresso. Os integralistas foram prejudicados logo por um de seus principais aliados. Salgado tinha a esperança de que o presidente aderisse ao partido depois do golpe, porque a nova delimitada era fascista , mas não rolou: Vargas não queria saber de concorrência.
Os integralistas não se deram por vencidos. Continuaram a atuar na ilegalidade e chegaram a tentar derrubar o presidente com um golpe. Em 1938, 150 integralistas armados batalhas invadiram o palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, então sede da Presidência da República, e travaram uma nos jardins do palácio, mas foram neutralizados. Dentro do edifício, havia apenas três homens com revólveres calibre 38, enquanto os integralistas estavam instalados principalmente, mas não tinham o equipamento adequado. “Foi um episódio que se tornou lembrado na história brasileira, mas foi muito importante”, destaca Pedro Doria. Os envolvidos foram fuzilados — mas o integralismo sobreviveu
Plínio Salgado se mandou para Portugal, que vivia seu próprio Estado Novo na ditadura fascista comandada por Antônio de Oliveira Salazar. O integralista retornou ao Brasil em 1945 e fundou o Partido de Representação Popular (PRP). Em 1990 de apoio ao golpe militar e, no ano seguinte, ele apoiou o golpe militar e dos partidos, integralistas presentes foram com cargas em troca de apoio dos partidos. Quando era membro da Comissão de Educação e Cultura, Salgado criou uma disciplina escolar de moral e cívica, cujo conteúdo nacionalista era o mesmo do integralismo . Ela só deixou de ser obrigatória em 1993, quando então o presidente Itamar Franco revogou o decreto de 24 anos antes da implementação.
Vamos entender historicamente o que é extrema direita e suas características, este entendimento é de fundamental importância pois ele vai ajudar você (eu) e nós a ligarmos os pontos soltos e fazermos finalmente a conexão entre elas.
Segundo o professor da USP Alberto Pfeifer Filho, tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda estão relacionadas à exaltação da nacionalidade, de cultura, história e tradição de um país. Além disso, a figura do Estado na condução da vida da coletividade é acentuada nesses posicionamentos.
Os movimentos de extrema direita, apesar de apresentarem variações conforme regiões no mundo, possuem alguns posicionamentos comuns, como uma agenda nacionalista forte e resistência à perda de soberania do país – têm uma certa rejeição à globalização e tendências de cooperação econômica. Sua ideologia tem caráter ultraconservador, extremista e, em muitos casos, seus adeptos adotam posturas preconceituosas, xenófobas e racistas.
Para você entender melhor esse fenômeno, selecionei alguns exemplos de movimentos frequentemente associados à extrema direita em diferentes lugares do mundo. Que tem como fundamento as principais ideais desse espectro – forte nacionalismo, ultraconservadorismo e extremismo.
Europa
Nas últimas eleições na Europa, os partidos de extrema direita tiveram um crescimento significativo. Em países como França, Holanda e Alemanha, por exemplo, apesar de não vencerem as eleições, se tornaram grupos políticos muito fortes, conquistando muitos eleitores. Esses partidos, em geral, apresentam um posicionamento nacionalista bastante forte, são a favor da não-participação ou do fim da União Europeia e defendem o acirramento das fronteiras, pois enxergam os imigrantes como uma ameaça ao seu estilo de vida, sua tradição e ao seu padrão de vida.
Estados Unidos
Charlottesville, Virgínia
Em agosto de 2017, um grupo de extrema direita dos Estados Unidos realizou um protesto na cidade de Charlottesville após o anúncio de que a estátua do general Robert E. Lee – um defensor da escravidão – seria retirada de um parque. Os manifestantes, que chamaram o movimento de “Unir a Direita” (Unite the Right), são contra negros, imigrantes, gays e judeus. As palavras de ordem na manifestação diziam: “vidas brancas importam”, “morte aos antifascistas” e “um povo, uma nação, acabem com a imigração”. Manifestantes que eram contra esse movimento foram às ruas e o embate acabou em morte e feridos.
Ku Klux Klan
Essa organização tem origem nos estados do sul dos Estados Unidos após a Guerra de Secessão e o fim do regime escravocrata, no final do Século XIX. O Sul era a parte do país a favor da escravidão e após a libertação dos negros escravizados surgiram movimentos contrários a inserção dessa comunidade na sociedade. A Ku Klux Klan – responsável por diversas atrocidades e assassinatos ao longo da história – prega a superioridade da raça branca e o racismo e foi adaptando seu discurso conforme o contexto da época. Hoje ainda existem diferentes grupos que se denominam herdeiros da organização original; além de negros, esses grupos têm um discurso contrário a judeus, cristãos, muçulmanos e imigrantes.
Extrema-direita, também chamada de ultradireita, é, dentro do espectro ideológico, o lado mais radical e violento da política de direita. Essa ideologia é conhecida pela defesa da supremacia racial, do nacionalismo exacerbado, da xenofobia e do ódio a grupos minoritários.
Teve como grandes expoentes o Nazismo na Alemanha e o Fascismo na Itália.
Normalmente, manifesta-se em períodos conturbados, tais como períodos de guerra ou crises econômicas, aproveitando o descontentamento da população para chamar a atenção, apontar culpados e colocar-se como solução.
Origem da Extrema-direita
Alguns autores identificam a origem da extrema-direita dentro da Revolução Francesa, quando um grupo tentou iniciar uma violenta contrarrevolução para trazer a monarquia de volta ao poder.
Mas foi nos anos 20, com a ascensão do Fascismo e do Nazismo, que essa ideologia se revelou e buscou conquistar o seu espaço.
Características
O termo extrema-direita é um tanto quanto fluído, englobando várias características diferentes que mudam de acordo com cada país ou época que se quer estudar, o que torna complicado uma definição precisa.
De maneira geral, algumas características podem ser apontadas como quase sempre presentes em grupos considerados de extrema-direita. Segundo o cientista político holandês Cas Mudde, as cinco características principais são:
Ø Nacionalismo;
- Ø Racismo;
- Ø Xenofobia;
- Ø Antidemocracia;
- Ø Estado forte e autoritário.
A essas características principais, podemos acrescentar muitas outras, tais como o populismo e a aceitação da desigualdade como algo natural, rechaçando qualquer tipo de igualdade.
Sabendo agora o que é militarismo, milícias, e agora extrema direita podemos dar continuidade com uma terra (escrita e entendimento) muito mais solido para fazer as conexões necessárias.
Quando falamos do slogan da campanha de 2018 (onde passou por muito desapercebido) mas que ali no (slogan) ele já chamava para perto seus alimentares, que nada mais era que as igrejas neopentecostais que já em 2000 já vinham desde da década de 90 construindo (desenhando) um plano de poder político, pelas características destas igrejas de usarem a mídias como programas de televisão, rádio (entre outras) já estavam construindo de maneira silenciosa (nem tanto, mas nada tão barulhento como hoje) a famosa “bancada evangélica” uma bancada que não precisava (basicamente do dinheiro de partidos políticos) para fazer campanhas, afinal essas igrejas tinham/e tem até hoje uma força descomunal econômica (dinheiro que vem dos próprios fieis), outro ponto e que o envolvimento de alguns membros poderosos destas denominações (e tomo cautela para aqui não generalizar) com as milícias, onde passaram a lavar o seu dinheiro oriundo do tráfico, extorsão de moradores, vendas de serviços como internet, tv a cabo (entre outros) nas igrejas, logo o chamado através do slogan deu muito certo.
Todavia precisamos entender aqui que criamos o hábito de chamar os extremistas de extrema direita de bolsonaristas, na verdade (tecnicamente e historicamente) quem é Bolsonaro na fila da intelectualidade para criar um movimento político e ideológico com seu nome?
Vamos concordar que ele está no último degrau né, afinal estamos falando de um personagem político que não sabe nem “ler” e se você ler atentamente as características da extrema direita, vai perceber que ele já traiu essa ideologia uma infinidade de vezes, mas ele só se mantei neste lugar como uma figura importante porque reverbera (fala) as ideias da extrema direita, que poucos políticos teriam coragem de falar. Tanto é verdade, que você lembra de Olavo de Carvalho, morreu criticando Bolsonaro, e seus discípulos Abraham Weintraub (ex-ministro da educação) rompeu com ele ao sair do ministério, e já fez inúmeras ameaças indiretas ao Bolsonaro, exatamente porque se sente traído. Com isso posso afirmar que Bolsonaro, não tem capacidade ideológica e muito menos filosófica ou intelectual para fazer uma base ou um movimento com seu nome, na verdade ele trata apenas de uma figura (patética) que serve de marionete para colocar os verdadeiros alimentares da extrema direita no poder.
Observe, vocês já viram Damaris Alves visitar alguma igreja católica? Isso tem uma leitura peculiar nas entrelinhas, no Brasil a extrema direita cria uma caracteriza uma peculiaridade que é a guerra extremista religiosa, onde a igrejas neopentecostais alinhadas com Edir Macedo buscam tomar (não sei se conquistar seria a palavra adequada) o espaço da igreja católica. Evidentemente, quando olhamos na lupa da história vamos encontrar que essa guerra não tem inicio agora, mas aí novamente vamos retornar a década de 90, quando um bispo da igreja Universal do Reino de Deus, chutou ao vivo durante um programa da Rede Record “Nossa Senhora Aparecida” neste momento Edir Macedo entende que poder não é apenas dinheiro, mas trata de aliar poder econômico com controle político. Neste sentido a santa católica não foi atacada a primeira vez agora (em 2022) a novidade e que agora os Padres da Igreja também estão publicamente sendo atacados, e tendo que inclusive explicar o que nunca tiveram que explicar décadas passadas como vermelha em suas vestes religiosas, vejam vocês o absurdo que chegamos.
Então se não existe bolsonarismo, o que existe é seguidor, adeptos e simpatizantes da extrema direita, então extremistas da extrema direita.
Preste atenção em uma coisa, mais uma cortina de fumaça; Bolsonaro diz que os eleitos e reeleitos ao parlamento são mais ao centro direita (isso é uma falácia) neste aspecto, e dentro de todo este contexto não existe aqui “centro direita” o que de fato e verdade existe é extrema direita, isso sim. Exatamente por isso, o extremismo e polarização política que hoje estamos assistindo nas eleições de 2022 não entre esquerda e direita (esta muito longe) disso, não trata disso de maneira alguma, a sociedade brasileira esta convocada no dia 30 de outubro de 2022 a ir as urnas para votar um projeto de poder e nação onde os agentes envolvidos um é de esquerda (assim se coloca e sempre se colocou) chamado Luiz Inácio Lula da Silva e do outro lado uma figura (fantoche) da extrema direita chamado Bolsonaro, horas exatamente por isso você siglas partidárias históricas como MDB por exemplo estão ao lado de Lula (não porque são participes da mesma ideologia partidária) mas porque o que esta em jogo é esquerda ou extrema direita.
No outro lado da mesma moeda os extremistas dizem que são; uma direita mais conservadora, após tudo que lemos e estudamos aqui podemos afirmar “não” de fato não se trata de uma “direita mais conservadora”, mas “sim” da extrema direita, ou seja de extremistas que vão se conectando em vários pontos (aqui analisados) em torno de projeto (ou tomada) de poder, para imposição da sua verdade e visão de mundo.
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Término aqui essa longa reflexão, sei que muitos (as) não tem o hábito da leitura, outros não tem paciência em ler, mas desejo profundamente que você ao ler possa compreender o quanto seu voto pode impedir que a extrema direita mantenha seu projeto de poder. Por mais difícil que seja a democracia, muitas vezes por mais absurda que ela seja em muitos pontos de vistas, eu vos digo que nada é mais salutar e benéfico a você, sua família e familiares no presente e no futuro que a construção e manutenção da democracia, onde todos, todas e todes possam dialogar (por mais difícil que seja) que o debate de ideias e projetos sejam amplamente discutidos e analisados, não podemos em pleno século XXI retroceder.
Não vou aqui manifestar a minha posição política em 2022, até porque não serei e não tenho direito de ser hipócrita a essa altura, sou radicalmente contra o projeto da extrema direita.
Permita-me fazer uma pontuação que ao meu ver é importantíssimo (infelizmente) o lado democrático no Brasil cometeu uma falha, permitiu que o nome “bolsonarista, ou base bolsonarista” tomasse corpo, não informou sociedade brasileira, assim como suas bases partidárias (militantes) do que de fato tratava, quero acreditar que essa ação tenha sido ingênua, pois está muito além de uma base de conservadores mais a direita, pois na verdade “conservadores” todos somos, basta você manter um habito, costume ou tradição de sua família como um doce por exemplo no natal, e você passa a ser conservador também. Neste sentido estamos falando e tratando aqui de um aspecto político de extrema direita e lidando com extremistas políticos, religiosos, sociais maléficos para manutenção da democracia.
Ronaldo Arruda
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Historiador e Cientista Político.

Este vai ser meu canto de leituras reflexão política preferido, ótima iniciativa.
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