Minha bandeira não é a fome, mas é contra a fome!

 

 Olá, amigas e amigos como vocês estão? Eu espero que todas, todes e todos estejam bem.

Hoje dia 27 de outubro de 2022 (quinta-feira) às 02:42 da madrugada.

Venho escrever na verdade venho fazer aqui uma confissão, mais uma das milhares que já fiz, mas hoje de maneira especial, confissão está que com certeza vai desagradar uns e agradar outros, mas admito que nada disso me importa. Porém me cabe contextualizar o porque da minha decisão, primeiro por responsabilidade (não apenas com o meu povo) mas também com meus ancestrais.

As mazelas que atinge o meu povo, essa eu chamo de tentáculo forte do racismo!

Fome avança no Brasil em 2022 e atinge 33,1 milhões de pessoas.

Dados do segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da rede Penssan, mostram que só 4 entre 10 famílias conseguem acesso pleno à alimentação. 08/06/2022

A escalada da fome no Brasil está expressa em pratos cada vez mais vazios, olhares cada vez mais preocupados, e números em permanente e rápida ascensão. Em 2022, 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer. É o que revela o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta quarta-feira (8/6).

São 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome em pouco mais de um ano. A edição recente da pesquisa mostra que mais da metade (58,7%) da população brasileira convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave (fome). O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990.

A pesquisa é realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), constituída por pesquisadores, professores, estudantes e profissionais, e teve execução em campo do Instituto Vox Populi. As organizações Oxfam Brasil, Ação da Cidadania, ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert Brasil, Ibirapitanga, Sesc São Paulo são organizações apoiadoras e parceiras dessa iniciativa.

 Brasil retrocedeu à década de 1990

As estatísticas foram coletadas entre novembro de 2021 e abril de 2022, a partir da realização de entrevistas em 12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, distribuídos nos 26 estados e no Distrito Federal. A Segurança Alimentar e a Insegurança Alimentar foram medidas, mais uma vez, pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), que também é utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa anterior, de 2020, mostrava que a fome no Brasil tinha voltado para patamares equivalentes aos de 2004. A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora no cenário econômico, o acirramento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 tornaram o quadro desta segunda pesquisa ainda mais perverso.

“A pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e da miséria, e traz ainda mais desamparo e sofrimento. Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país”, aponta Ana Maria Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede PENSSAN.

Segurança alimentar cai ainda mais

No Brasil de 2022, apenas 4 em cada 10 domicílios conseguem manter acesso pleno à alimentação – ou seja, estão em condição de segurança alimentar. Os outros 6 lares se dividem numa escala, que vai dos que permanecem preocupados com a possibilidade de não ter alimentos no futuro até os que já passam fome. De acordo com o 2º Inquérito, em números absolutos, são 125,2 milhões de brasileiros que passaram por algum grau de insegurança alimentar. É um aumento de 7,2% desde 2020, e de 60% em comparação com 2018.

“Já não fazem mais parte da realidade brasileira aquelas políticas públicas de combate à pobreza e à miséria que, entre 2004 e 2013, reduziram a fome a apenas 4,2% dos lares brasileiros. As medidas tomadas pelo governo para contenção da fome hoje são isoladas e insuficientes, diante de um cenário de alta da inflação, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da população, com maior intensidade nos segmentos mais vulnerabilizados”, avalia Renato Maluf, Coordenador da Rede PENSSAN.

Os destaques da pesquisa

·         Norte e Nordeste mais impactados novamente

A insegurança alimentar segue como uma questão que atinge as regiões do Brasil de forma desigual. No Norte e no Nordeste, os números chegam, respectivamente, a 71,6% e 68% – são índices expressivamente maiores do que a média nacional de 58,7%. A fome fez parte do dia a dia de 25,7% das famílias na região Norte e de 21% no Nordeste. A média nacional é de aproximadamente 15%, e, do Sul, de 10%.

·         O campo passa mais fome

O mesmo agravamento é percebido quando se compara o campo e a cidade. Nas áreas rurais, a insegurança alimentar (em todos os níveis) esteve presente em mais de 60% dos domicílios. Destes, 18,6% das famílias convivem com a insegurança alimentar grave (fome), valor maior do que a média nacional. E até quem produz alimento está pagando um preço alto: a fome atingiu 21,8% dos lares de agricultores familiares e pequenos produtores. A pobreza das populações rurais associada ao desmonte das políticas de apoio às populações do campo, da floresta e das águas, seguem impondo escassez.

Neste contexto tem dois fatores primordiais que me levam a declinar na minha decisão, dados do qual chamo atenção de todas, todes e todos, pois nenhum (repito que nenhum homem, ou mulher em nossa posição diante da nossa comunidade, pode deixar estes dados passar em vão, não se trata aqui de ideologia, mas de povo e esse povo é o nosso povo).

A fome tem cor

Neste segundo inquérito, fica evidente, mais uma vez, que a fome tem cor. Enquanto a segurança alimentar está presente em 53,2% dos domicílios onde a pessoa de referência se autodeclara branca, nos lares com responsáveis de raça/cor preta ou parda ela cai para 35%. Em outras palavras, 65% dos lares comandados por pessoas pretas ou pardas convivem com restrição de alimentos em qualquer nível. Comparando com o 1º Inquérito Nacional da Rede PENSSAN, de 2020, em 2021/2022, a fome saltou de 10,4% para 18,1% entre os lares comandados por pretos e pardos.

·         A fome tem gênero

As diferenças são expressivas na comparação entre os lares chefiados por homens e os lares chefiados por mulheres no período dos dois Inquéritos da Rede PENSSAN. Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome passou de 11,2% para 19,3%. Nos lares que têm homens como responsáveis, a fome passou de 7,0% para 11,9%. Isso ocorre, entre outros fatores, pela desigualdade salarial entre os gêneros.

Observação: Importantíssimo se compreender que quando falamos em neste contexto em “desigualdade de gênero” não estamos aqui falando na “mulher em sua totalidade”, mas estes dados mais da metade dele, atinge diretamente as “mulheres pretas”.

Fome dobrada nos lares com crianças

Em pouco mais de um ano, a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos – de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Na presença de três ou mais pessoas com até 18 anos de idade no grupo familiar, a fome atingiu 25,7% dos lares. Já nos domicílios apenas com moradores adultos a segurança alimentar chegou a 47,4%, número maior do que a média nacional.

A fome quase desaparece nos lares com renda superior a um salário-mínimo por pessoa. Em 67% dos domicílios com renda maior que um salário-mínimo por pessoa, o acesso a alimentos (segurança alimentar) é pleno e garantido. Porém, se em 2020 não havia domicílios com renda maior que um salário-mínimo por pessoa em situação de fome, no início de 2022 essa deixou de ser uma garantia contra a privação do consumo de alimentos – consequência da crise econômica e dos reajustes do salário-mínimo abaixo da inflação. Agora, 3% dos lares nesta faixa de renda têm seus moradores em situação de fome, e 6% convivem com algum grau de restrição quantitativa de alimentos (insegurança alimentar moderada) e 24% não conseguem manter a qualidade adequada de sua alimentação (insegurança alimentar leve).


Muitos dados eu poderia aqui mencionar e comprovar a vocês, todavia ficaríamos dias e mais dias lendo, sofrendo e muitas vezes durante a leitura (assim como durante a escrita) ficaremos revoltados.

“Normalmente quando as pessoas estão tristes, elas não fazem nada. Apenas choram a respeito de sua condição. Mas quando ficam com raiva, elas provocam mudanças.” Malcolm X

Faltando apenas 3 dias para o segundo turno, quero aqui dialogar com vocês, mas para isso eu preciso ser “honesto” afinal durante anos da minha vida eu defendi/defendo que nós pessoas pretas temos que retornar ao aprendizado afrocentrado em perspectiva africana; neste aspecto temos que se livrar (se limpar) de todas as correntes educacionais, ideológicas e filosóficas ocidental. Mas...

  1. Como podemos ficar cegos quando estes dados estão batendo em nossas portas?
  2. Como podemos ficar tão cegos, quando temos ciência e consciência que estes dados são verdadeiros nas favelas, vielas e periferias?

Não sei vocês, mas eu não sou cego. Não sou cego, mas o sistema não me compra (não tenho valor, por isso nenhum valor me compra) o sistema não me corrompe, assim como também não me encanta. Sendo assim...

Meu voto não é pelo melhor, nem tão pouco porque acredito que o “caucasiano” seja o “salvador” da população preta. Tenho infinitas críticas ao Partido dos Trabalhadores, admito que também tenho infinitas críticas a essa “tal” democracia que estes “hipócritas” tanto defende (nos últimos anos) sou crítico desta falácia pois está comprovado não por mim, mas pela história do Brasil que não existe democracia alguma, também esta explicito nestas eleições (2022) onde olhamos o cenário político e tudo que vimos foi a classe dominante, elitista de supremacistas se colocando como alternativa, até na ilusão do voto útil narrado pela grande mídia, reproduzido nas redes sociais e infelizmente defendido e propagado por muitos e muitas preta’s. Falando nisso...

”Muitos negros da chamada classe superior estão tão convencidos em impressionar os brancos, mostrando que são "diferentes" dos outros, que não percebem que estão ajudando o homem branco a manter sua opinião desdenhosa a respeito de todos os negros.” Malcolm X

Bom seria que os milhões de preto’s partidários e acadêmicos que temos, militantes de (n) partidos e principalmente no proprio PT pudesse ou tivessem o compromisso com a população preta, eles infelizmente não percebem como “cegueira” ideológica partidária colocam do a população preta em risco e em situação humilhante, vexatória e sem nenhuma perspectiva de emancipação.

Vejam estou longe de petista, e muito mais longe de ser lulista (nada contra quem seja, essa não é uma crítica, nem uma analise de cunho pessoal a ninguém), mas trata sim uma analise ampla e de maneira racional, sem visar o pessoal de ninguém, tenho uma centena de amigos, amigos petistas, tenho pessoas que considero meus griôs que são petistas, lulistas do qual os respeitos de mais. Mas quem eu seria se não fosse eu mesmo, livre para pensar e fazer os contrapontos que acredito ser necessário.

Diante desta narrativa, eu também preciso afirmar a meu ver não existe neste segundo turno o “melhor”, mas sim quem é contra e quem é a favor o armamento em massa da população brasileira, e neste quesito (como em outros) sou radicalmente contra a extrema direita, assim como sou contra a legalização e flexibilização de posse e porte de armas no Brasil.

Não entendo segurança pública sendo discutido a partir da flexibilização, legalização em massa da população, aliás o caso Roberto Jefferson comprova exatamente isso.
Compreende a segurança pública como ponto fundamental do debate político sim, ponto este que deve ser discutido no âmbito maior, exemplo como as armas chegam nas mãos da criminalidade? 


Eu, e você sabemos, a polícia também sabe que as favelas, morros, vielas, becos e periferias brasileiras não possui indústria de armas, então obviamente não fabricam armas, como tantas armas de alto calibre chega nas mãos do crime?

Como essas armas passam pelas fronteiras, marítimas, áreas e terrestres?

Quem fiscaliza e toma conta das fronteiras?

Quem negocia, e quem tem o poder de negociação nas fronteiras?

Quem se beneficia com o lobby da indústria de armas?


Enquanto o tema “segurança pública” não passar pelas respostas básicas destas perguntas primarias, não adianta, não temos avanço algum. Também sou contra o projeto de lei que autoriza a polícia a matar cujo nome técnico é “legitima defesa” do policial principalmente no refere o  25 do Código Penal. No artigo 23, foi adicionado o § 2º, o qual possui a seguinte redação:

§ 2º O juiz poderá reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção.

Significa que por medo a polícia pode matar, por emoção ela pode matar, mas de que polícia estamos falando aqui? Exatamente, estamos falando da polícia que mais mata no mundo, estamos falando ao mesmo tempo da polícia que também mais morre, e não quero (acredito que não queremos coletivamente) que polícias morram, necessário se lembrar que muitos destes policiais são moradores (crias) das favelas também, tem seus familiares moradores das periferias, muitos são nossos amigos de infância. Em suma quero dizer que; não somos a favor da morte de policiais, ao mesmo tempo queremos (precisamos) de uma polícia mais humanizada, uma polícia que retorne para seio da sua família todos os dias e receba parabéns por volta vivo, que seja bem remunerada, que tenha valorização em sua carreira. Mas que na contramão de tudo queremos que ela também seja uma polícia que trate moradores das favelas como tratam os moradores dos bairros nobres, queremos uma polícia que não mata, não oprima que não tenhamos medo da presença dela. Queremos discutir segurança publica sim, queremos e precisamos fazer isso, queremos porque historicamente as “periferias” foram construídas como “pagamento” de 400 anos de trabalho escravo, as favelas são reflexo da falta de humanidade dos escravistas que estupraram, violentaram homens, mulheres africanas e seus descendentes por 400 anos, crianças foram separadas de suas mães africanas para que pudessem ter mais leite para crianças não pretas (não africanas e não descendentes de africanos). Isso se deu os autos índices de criminalidade, isso se da a falta de cultura, lazer, saúde pública, saneamento básico e daí então também se da a falta de educação digna aos nossos filhos e filhas. Nesta perspectiva discussão não podemos ter com a extrema direita, lembremos mais uma vez que não se trata aqui de direita ou esquerda (entre as duas, eu e você continuamos sendo pretos) entre as duas uma nós manipula a cada dois anos, nós da migalhas para que a cada dois anos possamos ser sua torcida organizada (vós lembro da fala de Luiz Inácio Lula da Silva sobre os militantes no Jornal Nacional/2022) do outro lado temos a direita que empodera, fortalece o poder bélico do estado, que faz da relação pobre mais pobre e rico mais rico, que não olha, não se importa com as classes mais vulneráveis da sociedade, todavia mesmo com estas relações entre ambas e nós “pobres, pretos e periféricos” sempre estivemos no meio quando existe interesse eleitoral e a margem quando não existe (mesmo assim) ainda conseguimos sobreviver bem ou não, mas com extrema direita isso não existe, desde de 2018 estamos vivendo isso na pele, estamos morrendo de todas as formas, de todas as maneiras e por todos os níveis. Neste sentido eu me questiono; podemos ser tão cegos a ponto de não ver isso? 

Horas, quem sou eu?

Me olho no espelho e estou na frente dele me fazendo essa pergunta objetiva, quem sou eu.

Sou Ronaldo Arruda, um moleque que cresceu nas ruas, um pan-africanista que compreende perfeitamente a ideologia pan-africanista como sendo libertadora para a população africana da diáspora do continente, sou um pan-africanista por convicção e princípios revolucionários, sou um visionário por natureza, não carrego outra bandeira que não seja a bandeira com as cores do meu povo (vermelha, preta e verde) essa é a única bandeira que carrego, sou iniciado ao culto de Orisá (candomblé) meu nome religioso e Mégé Légbé, sou iniciado ao culto de ifá meu nome Iwori Kwana, sou historiador (ênfase em culturas, religiões e etnias), com doutorado em ciências políticas (politicas públicas a população negra), neste enorme contexto de quem sou, estou a 26 anos andando e observado os bastidores da política brasileira.

Horas posso eu ser cego?

Tenho o direito de me ausentar ou de ser neutro?

Nunca me vi ou se quer me enxerguei levantando outra bandeira que não seja a unidade da população preta na diáspora e no continente africano, mesmo com os pés no chão sabendo de todas as complexidades que envolve esta unidade. Nunca fui e luto todos os dias para não ser um falso profeta do pan-africanismo, agradeço todos os dias pois até hoje venho conseguindo. Sou um crítico feroz dos emocionados, sem noção diálogo, entendo que o pan-africanismo de Malcolm X ultrapassava a filosofia das ideias, era também uma ação diária e estratégica, neste sentindo não me cabe apenas criticar ou ficar olhando para estrelas sonhando e divulgando Wakanda, até porque não posso me dar o direito de não pensar e Wakanda (pode ser belíssima) mas ela é um produto cinematográfico, em pleno século XXI e impossível que essa construção tenha sucesso. Mas é possível sim termos uma sociedade preta solida, forte e autônoma; somente assim teremos LIBERDADE. 

Como falei de pan-africanismo, e sou pan-africanista (convicto) permita-me aqui apresentar (mesmo que muitos e muitas já conheçam) a memória de nossos ancestrais, para mim particularmente uma das “mentes” pan-africanista mais importantes que tivemos e que ainda temos:

Patrice Émery Lumumba

Origem: nascido como Élias Okit’Asombo, foi um líder anti-colonial e político congolês.

Em sua curta e tumultuada carreira política, ele optou por se alinhar aos valores anti-imperialistas e do pan-africanismo, defendendo consistentemente a solidariedade entre os povos da África para além dos limites de nação, etnia, cultura, classe e gênero, encorajando a a luta não-violenta contra o colonialismo e convocando ao diálogo os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Fundador do Movimento Nacional Congolês, ele foi a principal liderança na luta contra a dominação colonial belga no Congo, tendo participação decisiva na libertação do seu país do jugo imperialista europeu. Foi eleito primeiro-ministro eleito de seu país em 1960, mas ocupou o cargo apenas por 12 semanas, pois seu governo foi derrubado por um golpe de estado liderado pelo coronel Joseph Mobutu em meio à crise política do Congo. Ao tentar fugir para o leste do país, Lumumba seria capturado algumas semanas mais tarde. Seu assassinato, que ocorreu em janeiro de 1961, teve participação do governo dos Estados Unidos e da Bélgica, que viam o líder congolês como alinhado à União Soviética.

Sei e sou ciente que muitos (as) de meus irmãos e irmãs pan-africanistas são contra a política, sei que vivo sobre o “olho de furacão” constantemente, todos os olhos sobre mim, aguardando um deslize, esperando um erro apenas, para que eu seja colocado como impostar nas redes sociais ou acusado de ter “caucasianos de estimação” sei disso.

Mas os anos de caminhada me deu tranquilidade para saber lhe dar com essa situação, já fui acusado de muitas coisas, inclusive de ser um “afrobege” (olha aa loucura, como se o pan-africanismo discutisse colorismo) ou até mesmo de não ser preto (retinto) por supostos pan-africanistas, digo supostos pois estes não merecem meu respeito (e não tenho receio de falar isso) pois nunca tiveram o “bom caráter” de falar minha face, logo “bom caráter” é um princípio africano, quem não tem então é uma vergonha para África.  Mas posso afirmar ou pensar em dizer que Patrice Lumumba não era um pan-africanista?

Ou Thomas Isidore Noël Sankara também não era um pan-africanista, detalhe além de ser pan-africanista “Sankara” era militar, horas o que quero dizer e simples; a ideologia pan-africanista não trata apenas de uma ideologia social, mas é também política e econômica, neste aspecto ser pan-africanista também é uma ação, e uma posição política, não tem como desassociar disso. 

Bom, eu não estou aqui pedindo o seu voto a um caucasiano porque tenho ele como “salvador” de maneira alguma, até porque neste momento o que penso é unicamente na responsabilidade que tenho com o povo preto e com a cultura preta, e todas as mazelas neste artigo exposto e muitas outras pois os retrocessos são inúmeros e em todos eles somos o epicentro das catástrofes sociais, econômicas e políticas, é a cultura e religiosidade africana que em um contexto de política religiosa extremista são as mais perseguidas e correm sérios riscos de serem extintas no Brasil. Por isso eu apelo a sua consciência; não trata de votar no melhor, nem no salvador da pátria, mas trata de votar pelas nossas sobrevivências, e neste contexto voto 13 para presidente da república e 13 para governador de São Paulo.

Não gosto de Fernando Haddad, mas não tenho outra opção.

Votar 13 é a única oportunidade que temos de poder minimamente respirar. 

Volto a afirmar meu voto, e apelo para o seu também não pelo "melhor" pois nenhum deles assim são, não devemos e nosso erro e endeusar políticos, voto 13 porque tenho responsabilidade com uma bandeira muito maior que minha própria vontade, votar nulo não resolve nossa situação, vejam vocês o Brasil é o maior exportador de comida do mundo, como é possível ter 33 milhões de pessoas passando fome? Isso só é possível pois estamos falando de país construindo por escravagistas, essa fome não  é fruto da ingenuidade, mas uma ferramenta poderosa de manipulação e submissão humana, que rouba a dignidade e a esperança de emancipação, está ferramenta tem um alvo e uma raça pré-determinada, somos nós pessoas pretas, a extrema direita no Brasil e no mundo tem a ousadia e de usar ela contra nós ou de manter ela ativa contra nós. É sobre isso que se trata este dialogo! 

VOTE CONTRA A EXTREMA DIREITA. 



Att. 

Ronaldo Arruda 

Historiador e Cientista Político 




 

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