Deus, o candidato mais cobiçado das eleições de 2022!

Quando falamos “Deus” no contexto da política, importante compreender que vamos falar diretamente da chamada “pauta de costumes”, onde neste aspecto a “religião” tem um papel importantíssimo quando você se debruça na história, em vários momentos históricos a religião estava lá, exercendo seu papel, servindo especificamente como ferramenta de “manipulação” da grande massa.

Ok, você pode não concordar por vários motivos, mas me pergunto quais?
Seria porque você consegue desassociar a Santa Cruzada que aconteceu entre os séculos XI e XIII da Igreja católica?
É possível ainda desassociar o cristianismo no uso da violência como justificativa para conquistar a Terra Santa?
Espero de verdade que seus argumentos sejam bem sólidos, porque contra a história dos fatos se torna impossível qualquer emoção, os “fatos são fatos” indiferente da minha, ou da sua vontade.
Mas para não perder a linha racional desta reflexão, vamos lembrar da também atuação do cristianismo na Santa
Inquisição que teve início na França no século XII onde novamente o uso da violência foi a forma encontrada pelos filhos de deus, defensores dos bons costumes, da família tradicional para enfrentar os “infiéis” a heresia, blasfêmia e costumes considerados infames e pecado aos olhos do cristianismo.
Logo pergunto, será que você consegue ler a história e dizer que não foi violência, mas o uso do que chamo de violência é amor?
Bom feito este pequeno resumo da história e atuação do cristianismo na sociedade e no sistema político mundial (geopolítica) podemos facilmente compreender quando falo da “religião como ferramenta de manipulação da massa” , porque é exatamente disso que se trata. Mas neste contexto também é necessário abrir os olhos (como uma lupa) ,para entender os braços do cristianismo, tentáculos tão fortes quanto o próprio cristianismo raiz, chegamos na Europa mais uma vez, e aí meus caros e minhas caras, para entender o hoje é profundamente necessário o retrovisor.
“Reforma Protestante foi um movimento religioso que aconteceu na Europa, no século XVI, fomentado por razões políticas e religiosas.”
Preste muita atenção, porque este papo é profundo para desvendar ou esclarecer o hoje.
Origem, conceito e etimologia de “evangelismo”
É uma combinação da palavra evangelho, vista no latim tardio como evangelium, sobre o grego euangélion, para postular em ambos os casos uma boa notícia e remeter aos textos sagrados, sendo possível identificar o prefixo eu-, que discrimina algo bom, com raiz no sânscrito su-, dado pelo indo-europeu *(e)su-, por bom, e o termo anjo, marcado pelo latim tardio angĕlus, com referência ao grego ángelos, indicando um mensageiro; complementa-se pelo sufixo -ismo, na forma latina -ismus, no que diz respeito ao grego -ismós, para indicar uma doutrina ou corrente. Esta boa notícia ou boa nova faz referência ao Novo Testamento, já que em seus vários livros se fala de Jesus como o salvador da humanidade.
Para os cristãos, a chegada de um messias anunciada pelo profeta Isaías no Antigo Testamento se tornou uma realidade com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em outras palavras, a presença de Jesus Cristo entre os homens constitui o aspecto essencial da boa notícia ou evangelho. Ao mesmo tempo, para os primeiros cristãos, este termo era utilizado para designar o conjunto de histórias sobre a vida de Jesus de Nazaré.
Agora podemos retornar a Reforma Protestante, calma respira fundo que você vai entender.
O movimento teve como principal líder “Martinho Lutero”, um monge alemão, que por meio de 95 teses fez várias críticas à Igreja Católica e ao Papa.
Naquele período, o principal embate acontecia entre a Igreja e o Estado Monárquico. A primeira tese possuía domínio espiritual sobre o povo e detinha um certo controle administrativo dos reinos, que eram desejados pelos reis.
Como forma de garantir o “direito divino dos reis'', os governantes cobiçavam o poder espiritual e ideológico pertencentes à Igreja e ao Papa. Além de desejarem cobrar tributos feudais.
A burguesia também começou a incomodar-se com alguns ideais do catolicismo. Por exemplo, a usura (empréstimos com juros) era considerado um pecado pela Igreja, que também era contra o acúmulo de bens e o lucro.
Quem também estava descontente com a Igreja era a população, cansada dos abusos da Igreja e da sua falta de propósito. Como os mosteiros e bispados ocupavam grandes terras, em muitos casos os superiores religiosos viviam às custas dos camponeses.
O estopim da Reforma Protestante aconteceu em 1517, quando Martinho Lutero se deparou com o dominicano Tetzel que vendia indulgências em Wittnberg. Em resposta, no dia 31 de outubro, escreveu 95 teses que criticavam a Igreja Católica e o Papa, fixando-os na porta da Catedral de Wittenberg. Em 1520, Martinho Lutero recebeu uma “Bula Papal”, que ordenava que se retratasse ou seria excomungado. Em resposta, ele, juntamente com estudantes e professores da Universidade de Wittenberg, queimaram a Bula em praça pública.
Bom não vou me aprofundar muito aqui (mais do que já me aprofundei) pois teríamos que falar da pré-reforma de John Wycliffe, teríamos que mencionar também luteranismo , teremos que passar também pelo entendimento da teologia da libertação (uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín) e aí isso com certeza daria um livro bem interessante. Mas vou direto ao ponto central desta reflexão, que é o neopentecostalíssimo. Pois é importante compreender que todos que bebem na mesma fonte (como mencionei acima, são braços fortes do cristianismo) todavia bebem em lugares diferentes do mesmo rio, isso faz os modos operantes entre eles serem muito diferentes um do outro.
O termo neopentecostalíssimo, ou a expressão Terceira Onda do Pentecostalismo, designam a terceira onda do movimento pentecostal. É um movimento dentro do cristianismo que surgiu em meados dos anos 1970 e 1980, algumas décadas após o movimento pentecostal do início do século XX, ocorrido em 1906.
O neopentecostalíssimo, assim como anteriormente o pentecostalismo, é um movimento dissidente do protestantismo. Foi iniciado por líderes religiosos dos Estados Unidos nos anos 1960, quando passaram a ser chamados de neocarismáticos ou evangélicos carismáticos. No Brasil, o movimento neopentecostal teve início com Edir Macedo e sua Igreja Universal do Reino de Deus no fim dos anos 1970.
Características centrais do neopentecostalíssimo:
Prega a Teologia da Prosperidade, segundo a qual Deus reserva sucesso financeiro, saúde e realizações na vida para os cristãos;
O dízimo e a oferta conduzem à prosperidade. A lógica é: quanto mais se doa à igreja, mais sucesso está por vir;
É descentralizado e sectário, com independência entre as igrejas, sem uma figura hierárquica central, como o papa católico;
Enfatiza uma constante guerra espiritual contra a figura do Diabo e seus representantes na Terra, da cultura à política;
Propõe uma abordagem menos severa em relação ao uso de roupas pelos fiéis do que nas pentecostais mais antigas;
Usa meios de comunicação de massa, como rádios e programas de TV, para pregar sua fé e obter novos fiéis.

Principais igrejas no Brasil
  • • Igreja Universal do Reino de Deus, conhecida pela sigla Iurd, fundada por Edir Macedo em 1977
  • • Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada pelo pastor R.R. (Romildo Ribeiro) Soares (ex-Iurd), em 1980
  • • Igreja Renascer em Cristo, fundada pelo casal de bispos Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, em 1986
  • • Sara Nossa Terra, fundada pelos bispos Robson Rodovalho e Maria Lúcia Rodovalho, em 1992
  • • Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada pelo pastor Valdomiro Santiago (ex-Iurd), em 1998


O triunfo das igrejas neopentecostais está na teologia da prosperidade, que funciona como um motor (gatilho) mental em seus fiéis:

As origens da mensagem da Teoria da Prosperidade se localizam nas ideias de pastores americanos ligados a igrejas ou práticas pentecostais, entre os quais os religiosos E.W. Kenyon (1867-1948) e Kenneth Hagin (1917-2003). Um dos versículos bíblicos mais citados por Hagin foi “por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis” (Marcos 11:24).
O fracasso e a pobreza financeira são atribuídos à falta de fé do indivíduo, muito mais do que a qualquer contexto social ou econômico. É uma ideia de caráter meritocrático. O dízimo, entendido como expressão da fé de quem doa, ganha uma centralidade maior do que em outras denominações e é apresentado por líderes neopentecostais como caminho principal para esse sucesso.
A historiadora britânica Kate Bowler descreve a Teologia da Prosperidade exaltada em grande parte das igrejas neopentecostais como uma convergência entre três fatores:
O pentecostalismo, de onde saem os líderes que viriam a adotar as práticas posteriormente classificadas como neopentecostais.
O Movimento Novo Pensamento, linha espiritual de crenças metafísicas do século 19 que exalta a força da mentalidade positiva.
O “sonho americano” do sucesso individual a partir de conquistas que dependem exclusivamente do esforço pessoal.
O discurso da riqueza como bênção não estava presente nas primeiras ondas do pentecostalismo, no início do século 20. A frugalidade e o foco na conexão com o Espírito Santo eram marcas de denominações como a Assembleia de Deus ou a Igreja do Evangelho Quadrangular.
Com a ascensão das neopentecostais, alguns pastores das igrejas pentecostais mais antigas tentaram incorporar o discurso da Teoria da Prosperidade. A resistência das instâncias superiores do movimento pentecostal levou muitos líderes religiosos a fundar suas próprias igrejas, ampliando a rede neopentecostal.
“Em 2019, o Datafolha trouxe dados gerais sobre os evangélicos. Segundo o levantamento, 50% dos brasileiros são católicos, 31%, evangélicos, e 10% não têm religião.”
Agora este artigo, que já deixou de ser uma reflexão a algumas linhas, passa de fato a entrar no contexto político.
Quando o neopentecostalíssimo vira política?
Se até a década de 1980 um bordão popular dizia que “crente não se mete em política”, isso começou a mudar na Assembleia Constituinte realizada entre 1987 e 1988. A elaboração da nova carta no Congresso nacional contou com a participação de 33 deputados evangélicos, incluindo 18 pentecostais, incluindo o primeiro congressista neopentecostal, ligado à IURD.
Entre as iniciativas da bancada estava o pedido de que um exemplar da Bíblia fosse deixado na Mesa da Constituinte para uso dos congressistas. A ideia do deputado Antônio de Jesus (PMDB-GO), ligado à Assembleia de Deus. Atendido o pedido, a presença do livro sagrado no recinto seria mencionada em diversos pronunciamentos ao longo da Constituinte. A Bíblia foi convocada para apoiar discursos com temas que incluíam a “permissividade” da sociedade e sua relação com a aids, a pena de morte, a reforma agrária e as injustiças sociais, conforme relato do cientista político Sydnei Melo em “Deus, a Bíblia e os evangélicos na Constituinte (1987-1988)”.
Na década de 1990, o neopentecostalíssimo, por meio da Igreja Universal, começou a se infiltrar na arena política. Na virada do milênio, a Iurd contava com uma bancada de 18 deputados na Câmara, em diferentes partidos. Eram liderados pelo Bispo Rodrigues, que na época chegou a ser vice-presidente do Partido Liberal (PL).
Em 2002, o pastor Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, estreou na política, candidatando-se a senador pelo Rio de Janeiro, pelo PL. Crivella derrotou os veteranos Leonel Brizola e Artur da Távola.
Em 2005, a Universal coletou mais de 600 mil assinaturas para a criação de um partido político, o PMR (Partido Municipalista Renovador, entre outros partidos). Em seguida, por sugestão de seu filiado José Alencar (então vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva), mudou o nome para Partido Republicano Brasileiro (em 2019, mudaria outra vez para Republicanos).
De acordo com Ricardo Mariano, sociólogo da USP, as igrejas pentecostais e neopentecostais “consideram estratégico ocupar posições de mando da nação, dentre elas as de natureza política, para assegurar seus interesses institucionais e sua liberdade religiosa, estender sua influência e seu poder político, defender seus valores morais e sua visão de mundo”.
“Importantíssimo se entender a visão de mundo defendida por eles, pois nelas uma parte da população que já condenada em sua pregação está fora do contexto.”
Essa visão de mundo inclui a rejeição a diversas causas defendidas por partidos no espectro ideológico, incluindo temas reivindicados por adversários políticos como movimentos feministas, e LGBTQIA+, povos tradicionais de matriz africana, cultura preta africana e de defesa dos direitos humanos.
“Há também um contínuo esforço em se contrapor ao conceito de laicidade do estado e a noção estabelecida nas democracias ocidentais que a religião não deve interferir na vida política.”
Chegamos finalmente ao fatídico ano de 2018...
Nele o projeto político neopentecostal tomou força, as pautas até então sempre rejeitadas de costumes, se tornam a centralidade da política, um fariseu chamado Jair Messias Bolsonaro ganha apoio de IRD, não podemos esquecer e a linha cronológica aqui descrita demonstra isso, que Edir Macedo (e a IRD) foram fortalecidos pelos governos petistas em muitos momentos da história de seus governos, tanto foram que políticas públicas afirmativas aos povos tradicionais de matriz africana foi assinado, sancionado mas de fato nunca teve em sua totalidade implementação, afinal o PT não quis enfrentar a IURD, exemplo disso; a lei 10639, o decreto de lei 6,040.
Isso eles não querem que você saiba, por que será?
Mas tudo bem, seguimos a tal “guerra santa”, que hoje (2022) está exposto no cenário político, hoje a grande mídia está falando de guerra que já existe a décadas no Brasil, onde a décadas neste país os povos tradicionais de matriz africana, a cultura, fé e crença preta vem sofrendo publicamente toda sorte de marginalização, perseguição e humilhação pública. Neste aspecto sito os 300 (grupos neopentecostais) que a tempos atuam no Rio de Janeiro expulsando os povos tradicionais de matriz africana dos morros, favelas e bairros mais vulneráveis, com apoio das malícias e ninguém nunca tomou nenhuma providência, a tempos o poder público e os políticos sabem, mas nada fazem porque não quiseram no passado, e não querem agora enfrentar o poder político da IURD.
Bem...
Neste momento o voto evangélico (como dizem) que representa 25/31% da sociedade brasileira pode definir as eleições, minha pergunta é:
Quem são estes evangélicos?
Onde vivem?
Qual o projeto de nação eles querem? Eles têm um projeto de nação?
Por que a minoria consegue se sobrepor a maioria?
Por que a maioria diante de tantos fatos históricos ainda não se organizou?
"...Afirmo que com isso não estou pedindo voto a ninguém, mas o fato predominante para mim é, não tenho nenhum representante entre os candidatos a presidência, todavia para mim não é sobre o melhor, mas é sobre sobreviver e neste sentido a sobrevivência do meu povo, não está associada a extrema-direita, extremista e radical formada por neopentecostais, da mesma maneira quero registrar que não estou atacando a fé, a crença de ninguém, mas sim trata-se de uma crítica analítica e racional dos modos operantes do cristianismo ao longo da história, reforço que não trato e nem ataco a fé de ninguém. Mas contra fatos existe argumentos? Se existe, então que sejam apresentados, por que o momento tudo que temos são os fatos históricos assombrosos de sistema religioso que não tem bom caráter e nem moralidade..."
Pense nisso!
Ronaldo Arruda
Historiador e Cientista Político.

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